Em direto
Operação "Promessa Honesta". As ondas de choque do ataque do Irão a Israel

Kiev elogia qualquer iniciativa para melhorar apoio militar

por Lusa
Manifestantes em Tbilissi, Geórgia, em apoio à Ucrânia, quando se cumprem dois anos da invasão russa Irakli Gedenidze - Reuters

O principal conselheiro da Presidência ucraniana, Mikhailo Podolyak, elogiou hoje qualquer proposta para "aumentar, expandir ou alterar" a forma como a Ucrânia é ajudada, depois de o Presidente francês, Emmanuel Macron, ter admitido o envio de tropas.

"Qualquer debate sobre aumentar, expandir ou mudar a forma como ajudamos a Ucrânia só pode ser bem-vindo", disse o conselheiro do Presidente Volodymyr Zelensky, na sua conta na rede social X.

Para Podolyak, o facto de novas formas de apoiar o esforço ucraniano face à invasão russa estarem a ser consideradas entre os parceiros de Kiev é um "sinal direto" dos riscos que a Rússia está a correr e de que tanto a Ucrânia como a Europa responderão de "forma consistente".

"Os líderes de vários países europeus sugerem alargar o âmbito do debate, introduzindo novas variáveis e delineando o que pode ser feito. E isso é excelente. A Ucrânia precisa de todas as soluções possíveis para aumentar as suas capacidades militares `aqui e agora`", disse Podolyak.

 

 Na segunda-feira, o presidente francês afirmou que não pode ser descartada a possibilidade de envio de tropas para a Ucrânia, um passo extremo que a NATO sublinhou em diversas ocasiões nem sequer ser discutido como uma hipótese.

Em resposta, vários países da NATO, incluindo Portugal, voltaram a descartar hoje esta possibilidade e atribuíram as palavras de Macron ao seu desejo de ajudar a Ucrânia, concordando, por outro lado, na necessidade de continuar a enviar armas e munições.

Uma das recusas mais contundentes partiu do chanceler alemão, Olaf Scholz, que garantiu hoje que "nenhum soldado" será enviado para a Ucrânia por países europeus ou da NATO.

Em conferência de imprensa, Scholz afirmou que o que foi decidido entre os europeus desde o início "continua a ser válido para o futuro", nomeadamente que "não haverá tropas no terreno, nem soldados enviados por Estados europeus ou pela NATO para solo ucraniano".

A NATO já descartou a possibilidade do envolvimento de militares da Aliança e a União Europeia disse que essa é uma decisão que cabe a cada estado-membro, enquanto vários países aliados de Kiev, como Reino Unido, Suécia, Espanha, Portugal e Itália, também rejeitaram a iniciativa levantada por Macron.

"Quando falamos em enviar tropas devemos ter cuidado porque as pessoas podem pensar que estamos em guerra com a Rússia", alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani.

Também os primeiros-ministros polaco e checo disseram hoje que não estavam a considerar enviar soldados para a Ucrânia, mas insistiram na necessidade de todos os países europeus apoiarem Kiev "tanto quanto possível" no seu esforço de guerra.

?Oporta-voz do Kremlin advertiu hoje que o envio de tropas para a Ucrânia "não seria do interesse do Ocidente.

"Não é de todo do interesse destes países. Eles devem estar cientes disso", disse Dmitri Peskov aos jornalistas, afirmando que a simples menção desta possibilidade constitui "um novo elemento muito importante" no conflito.

Após as declarações de Emmanuel Macron, a diplomacia francesa voltou hoje ao assunto, alegando que a presença de tropas ocidentais na Ucrânia não ultrapassaria "o limiar da beligerância".

Perante a agressividade da Rússia, o Ocidente deve "considerar novas ações de apoio à Ucrânia", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Stéphane Séjourné, referindo-se à desminagem, operações cibernéticas ou a produção de armas em território ucraniano.

"Algumas destas ações podem requerer uma presença em território ucraniano sem ultrapassar o limiar da beligerância", afirmou Séjourné, citado pela agência francesa AFP.

Tópicos
pub