Kremlin admite possível reunião entre Xi, Trump e Putin na cimeira da APEC

Kremlin admite possível reunião entre Xi, Trump e Putin na cimeira da APEC

O Kremlin admitiu a possibilidade de os Presidentes chinês, Xi Jinping, norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin, realizarem uma reunião trilateral durante a próxima cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), na China.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Os líderes das 21 economias que integram a APEC deverão reunir-se em Shenzhen, no sul da China, em 18 e 19 de novembro.

Questionado na terça-feira pela televisão estatal russa sobre a possibilidade de um encontro entre os três líderes, o conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov confirmou que o assunto foi abordado.

"Essa questão foi discutida, sim", afirmou.

Ushakov falava em Bisqueque, capital do Quirguistão, onde Xi e Putin participaram na cimeira de dois dias da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), concluída na terça-feira.

Putin confirmou, em maio, que pretende participar na cimeira da APEC, mas Trump ainda não anunciou se estará presente.

"E, se acontecer, como foi referido, então os três poderão realizar uma reunião", afirmou Ushakov.

O responsável do Kremlin disse ainda que Putin pretende reunir-se com Xi e Trump durante a cimeira, quer separadamente, quer num formato conjunto.

A embaixada chinesa em Washington afirmou não ter, para já, informações a divulgar sobre a eventual reunião, enquanto a Casa Branca disse não existir ainda qualquer anúncio sobre a participação de Trump na APEC.

A presença do Presidente norte-americano poderá depender, em parte, da participação de Xi Jinping na cimeira do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, no complexo de golfe de Trump em Doral, no estado norte-americano da Florida.

Uma deslocação de Trump a Shenzhen poderá abrir caminho para um quarto encontro com Xi este ano, numa altura em que persistem divergências entre as duas maiores economias mundiais.

Na terça-feira, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, criticou a China por se ter recusado a subscrever uma posição conjunta na reunião dos ministros das Finanças do G20, realizada esta semana na Carolina do Norte, sobre os desequilíbrios económicos provocados pelas exportações baratas.

"É evidente que o país com o maior e insustentável excedente da balança corrente do mundo, a República Popular da China, foi quem discordou", afirmou Bessent.

"O facto de 19 países quererem abordar esta questão demonstra a enorme dimensão do problema", acrescentou.

Outro fator que poderá pesar na decisão de Trump sobre a participação na APEC é a possibilidade de um encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Trump afirmou no final de agosto que esperava reunir-se com Kim ainda este ano, recordando que mantém uma "boa relação" com o dirigente norte-coreano.

Analistas consideram ainda que Xi poderá desempenhar um papel de intermediário na organização de um eventual encontro trilateral com Trump e Putin antes do final do ano, seja durante a APEC ou à margem do G20.

"Xi vai também oferecer-se para mediar uma reunião tripartida", indicou a consultora Scowcroft Group num relatório, acrescentando que o líder chinês poderá procurar garantir a participação de Putin.

 

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