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Kuwait liberta jornalista detido há 52 dias por cobrir guerra

Kuwait liberta jornalista detido há 52 dias por cobrir guerra

O jornalista kuwaitiano-norte-americano Ahmed Shihab al-Din deixou o Kuwait, após ter sido absolvido da acusação de divulgar informações falsas, no contexto da guerra no Médio Oriente, e libertado após 52 dias de detenção.

Lusa /

O Departamento de Estado dos EUA anunciou a partida de Al-Din na sexta-feira, garantiu que o jornalista recebeu assistência consular e acrescentou que o paradeiro atual seria protegido por motivos de segurança.

Na quinta-feira, Al-Din foi absolvido das acusações de divulgação de informações falsas e de pôr em perigo a segurança nacional do Kuwait, acusações que o levaram a ser detido durante 52 dias.

Antes da detenção, o jornalista "comentou vídeos e imagens disponíveis publicamente relacionados com a guerra do Irão", disse o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ)

"Entre as suas publicações recentes estava um vídeo geolocalizado, verificado pela CNN, mostrando um caça norte-americano a cair perto de uma base aérea norte-americana no Kuwait", acrescentou o comité.

O caça terá sido abatidos por engano no Kuwait pelas defesas aéreas do país, nos primeiros dias do conflito que começou a 28 de fevereiro com a ofensiva EUA-Israel no Irão.

Al-Din, jornalista independente que trabalhou para o jornal norte-americano New York Times, a emissora do Qatar Al Jazeera English e a emissora pública norte-americana PBC, foi detido em 03 de março, enquanto visitava a família.

O CPJ sublinhou que Al-Din estava a ser processado, entre outras coisas, por "utilizar indevidamente o seu telemóvel", acusações denunciadas como "vagas e excessivamente amplas, rotineiramente utilizadas para silenciar jornalistas independentes".

Em 02 de março, o Ministério do Interior de Kuwait alertou contra a gravação ou divulgação de vídeos ou informações relacionadas com ataques iranianos contra países árabes.

O Kuwait promulgou uma lei a 15 de março que impõe penas de prisão até dez anos a qualquer pessoa que "divulgue notícias, publique declarações ou espalhe boatos falsos relacionados com entidades militares".

O CPJ observou ainda que a detenção de Al-Din tinha ocorrido no meio de uma campanha de "censura cada vez mais rigorosa da imprensa" não apenas no Kuwait, mas em todo o Golfo Pérsico.

Centenas de pessoas foram detidas em todo a região desde o início do conflito por partilharem imagens de ataques de retaliação com drones ou mísseis do Irão, bem como imagens de danos ou destroços de aeronaves intercetadas.

Os jornalistas também foram assediados e proibidos, em alguns países, de filmar ou fotografar danos de guerra.

Em retaliação pela ofensiva militar, o Irão condicionou o tráfego no Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

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