Lançada petição para reclassificar Bíblia por "conteúdo indecente"
Um grupo de centenas de residentes em Hong Kong apelou na tarde de quarta-feira à TELA - entidade responsável pelo licenciamento e classificação de filmes e publicações - para reclassificar a Bíblia pelo seu conteúdo "indecente".
De acordo com a comunicação social da Região Administrativa Especial de Hong Kong, um grupo de mais de 800 pessoas - 208 segundo a AFP - considera que o livro sagrado dos cristãos contém citações de "carácter sexual ou violento".
Um porta-voz da TELA (Autoridade Televisiva) confirmou ter recebido queixas sobre o conteúdo da Bíblia, acusando o livro de ser "ofensivo para os leitores".
O mesmo porta-voz não confirmou notícias publicadas na imprensa de Hong Kong que referiam que as queixas continham exemplos retirados da Bíblia "de violência, violação e canibalismo".
Ouvido pela Lusa em Macau, o padre-jornalista Albino Pais, director do semanário católico O Clarim disse estranhar a iniciativa, considerando que se baseia em frases fora de contexto "Acho muito estranho. Se formos retirar um texto ou uma frase da Bíblia poderíamos tirar essa conclusão, mas a Bíblia tem um fio condutor que é preciso descobrir para interpretar a mensagem de Deus aos Homens", disse.
Albino Bento Pais sustentou também que "alguns textos ou frases que poderiam eventualmente levar a esse tipo de conclusões surgem essencialmente no Antigo Testamento", mas defender que se trata de conteúdo de carácter sexual ou violento "é fazer uma interpretação fora do contexto geral da mensagem bíblica".
"O fio condutor da mensagem da bíblica leva-nos à mensagem de Cristo aos Homens, que é toda ela feita num convite à fraternidade e comunhão entre esses mesmos Homens", acrescentou, para sublinhar não acreditar que as autoridades de Hong Kong atendam ao pedido subscrito pelas centenas de peticionários de pessoas - entre 200 a 800, segundo vários órgãos de comunicação social.