Leão XIV vota nas intercalares dos EUA. É a primeira vez que um papa exerce o direito de voto

Leão XIV vota nas intercalares dos EUA. É a primeira vez que um papa exerce o direito de voto

O Vaticano e o condado de Will, em Chicago, confirmam o voto por correspondência. O Papa Leão XIV "manifesta a sua convicção quanto ao direito e ao dever dos cidadãos de participar nos processos democráticos".

Guilherme de Sousa / Adicionar como fonte informativa
O papa Leão XIV defende o direito de voto dos cidadãos Foto: Reuters (arquivo)

Pela primeira vez, um chefe da Igreja Católica exerceu o direito de voto numas eleições externas. O Vaticano confirma que o papa Leão XIV votou por correspondência nas eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro.

O gabinete de imprensa do Vaticano explica que o pontífice exerceu o seu direito de voto como cidadão dos EUA “sempre que teve oportunidade", confirmando que o papa “enviou o seu voto por correspondência para Chicago”.

"O Santo Padre manifesta a sua convicção quanto ao direito e ao dever dos cidadãos de participar nos processos democráticos", acrescentou

Esta é a primeira vez que se sabe e se confirma que um pontífice exerce o direito de voto numa eleição.

Segundo o jornal Chicago Sun-Times, Robert Francis Prevost, o nome do papa Leão XIV, consta na lista de eleitores que pediram o voto por correspondência no ato eleitoral, afirmou o chefe do secretariado do condado de Will, Kim Fladhammer.

Prevost está inscrito no recenseamento eleitoral de Illinois, uma vez que tem o seu domicílio registado em New Lenox, a residência do seu irmão.

Além disso, soube-se que Prevost votou nas eleições de 2012, 2014, 2018 e 2024, bem como nas primárias republicanas de 2012, 2014 e 2016, e nas primárias democratas de 2008 e 2010.

Divergências com Trump

O voto do papa ocorre num ano em que se tornaram evidentes as suas divergências com o Presidente norte-americano, Donald Trump, relativamente a temas como as políticas de imigração e a guerra no Irão.

O papa norte-americano criticou abertamente a ofensiva militar iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica no passado dia 28 de fevereiro e afirmou que ninguém pode impedi-lo de continuar a criticar a guerra, enquanto Trump chegou a dizer que Leão XIV coloca "em perigo muitos católicos e muitas pessoas" porque, se dependesse dele, "seria bom que o Irão tivesse uma arma nuclear".

A nível nacional, as sondagens apontam para uma provável vitória da oposição democrata na Câmara dos Representantes e para a possibilidade de esta tomar aos republicanos a maioria também no Senado, sobretudo devido ao descontentamento com a inflação e a guerra no Irão.

“Se o papa vota desde o Vaticano, vocês também podem”

O nome do papa Leão XIV, enquanto eleitor, fica agora associado às eleições intercalares que vão definir a corrida ao Senado e governador no estado de Illinois e as eleições judiciais e municipais do condado de Will, nos arredores de Chicago.

O atual governador JB Pritzker, que procura a reeleição, reagiu através das redes sociais ao voto do papa. “Se o papa consegue votar desde a cidade do Vaticano, vocês também conseguem!”, lê-se numa mensagem do democrata que pretende encorajar o voto dos norte-americanos.

(Com Lusa)







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