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Legisladores do Oklahoma aprovam lei para criminalizar aborto

Legisladores do Oklahoma aprovam lei para criminalizar aborto

Nos Estados Unidos, no Estado do Oklahoma, legisladores estaduais aprovaram uma nova lei que penaliza e criminaliza o aborto com uma pena de dez anos e uma multa de cem mil euros. Este é mais um Estado a criminalizar o aborto no país, com as associações de planeamento familiar a acusar os legisladores de se preocuparem com leis arcaicas e não ouvirem os mais necessitados.

RTP /
Reuters

Se a nova lei for aprovada, começará a ter efeito no verão deste ano. A comunidade diz-se em choque face à nova lei. “Quando ouvem que isto está a acontecer e que provavelmente vai ser aprovado em breve as pessoas mostram-se chocadas”, explicou Iman Alsaden, médica e diretora da associação Paternidade Planeada (Planned Parenthood).

“A implicação disto é que muitas pessoas vão esperar pelo apoio de cuidados para o aborto e em alguns Estados essa ajuda não vai chegar, muita gente vai ter que esperar muito tempo. É estar a fazer com que as pessoas enfrentem grandes obstáculos”, continuou Alsaden.

Mais de 700 mil mulheres estão em idade reprodutiva no Estado do Oklahoma. No entanto, esta é uma lei que terá efeitos também em mais de sete milhões de mulheres no Estado do Texas. Desde que o Texas aprovou a lei da criminalização do aborto, muitas têm sido as pacientes a viajarem até a Oklahoma para poder ter acesso ao aborto legal.

Uma associação do Oklahoma apoiou, de setembro a dezembro de 2020, quatro dezenas de pacientes do Texas. Desde que a criminalização do aborto no Texas foi aprovada, esse número passou para mais de 1.100 no período homólogo de 2021. Iman Alsaden explicou também que muitas mulheres estão a escolher o Kansas para ter acesso a tratamentos.

Antes da Presidência de Donald Trump, a legislação anti-aborto era frequentemente bloqueada. No entanto, com a entrada de três juízes conservadores do Supremo Tribunal, muitos Estados estão a reverter a lei do aborto, apesar de a maioria da população ser a favor da despenalização.

“Estas novas leis têm continuado a desferir ataques implacáveis contra as nossas liberdades”, explicou Emily Wales, presidente da Planned Parenthood Great Plains, um grupo dedicado aos direitos reprodutivos. “Estas restrições não servem para aumentar a segurança do trabalho que realizamos. Apenas têm como objetivo envergonhar e estigmatizar pessoas que precisam e merecem acesso ao aborto”.

Os legisladores republicanos que querem levar a lei avante explicam que os castigos não são dirigidos às mulheres mas aos médicos que permitem o acesso ao aborto, explicou o representante do Estado Jim Olsen. Olsen explicou também que, durante as audições para implementar a lei, sentiu que tinha “um dever moral em acabar com o aborto”.

Na terça-feira, em Oklahoma, foi adotada uma resolução para reconhecer fetos abortados como vidas perdidas.

“Todas estas leis estão enraizadas em paternalismo, racismo e supremacia branca. Afetam de forma desproporcional a comunidade afro-americana e pessoas de menor rendimento. E isto é feito alegando que é para ajudar as pessoas”, acusou Alsaden.

“Se querem ajudar alguém, há uma coisa básica que tem de ser feita quando se ajuda e isso é ouvir aquilo de que as pessoas precisam”, concluiu.
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