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Libéria recebe dose de medicamento experimental contra o Ébola

O ministro da Informação da Libéria, Lewis Brown, anunciou que a FDA (Food and Drug Administration, que regula nos EUA os assuntos relativos à alimentação e medicamentos) autorizou a exportação de uma pequena dose de ZMapp, um medicamento experimental de combate ao Ébola.

RTP /
Soldados da Libéria controlam movimentos populacionais em torno das cidades mais afetadas pelo recente surto de Ébola. O Governo decretou o estado de emergência nacional e proibiu ajuntamentos e os mercados tradicionais, para tentar conter a disseminação do vírus. A OMS revelou que a barreira dos mil mortos devido ao Ébola foi ultrapassada este fim de semana. Reuters

A dose, produzida pelo fabricante americano Mapp Biopharmaceutical, dará apenas para tratar dois médicos da Libéria infetados com o vírus hemorrágico.

Os clínicos consentiram no tratamento, afirmou Brown.

O ministro da Libéria revelou que o pedido do ZMapp foi feito pelo Governo liberiano diretamente à farmacêutica que o retransmitiu à FDA, com carater de urgência. Esta acabou por aprovar a exportação do medicamento.

A farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, que tem estado a co-desenvolver com cientistas norte-americanos uma vacina experimental contra o Ébola, anunciou por seu lado, esta terça-feira, que os testes clínicos deverão ter início em breve.
Barreira dos mil mortos ultrapassada
Apesar do elevado índice de fatalidade, a pobreza endémica dos países africanos normalmente afetados pelos vírus hemorrágicos e a relativa circunscrição dos surtos, tornam pouco atrativos os investimentos das farmacêuticas no desenvolvimento de tratamentos e de vacinas.

O novo surto do Ébola e o elevado potencial da sua disseminação está a pressionar as empresas, sobretudo depois da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado o estado de emergência mundial de saúde pública.

A OMS fez este terça-feira um novo balanço e afirmou que a barreira dos mil mortos devido ao Ébola foi ultrapassada com 1.013 mortes em 1.848 casos identificados.

Entre os dias sete e nove de agosto a Organização somou mais 52 mortes e 69 novos casos recenseados.O novo surto do Ébola, um vírus hemorrágico fatal em 90% dos casos, terá tido inicio em dezembro, na Serra Leoa. A disseminação do vírus agravou-se a partir de janeiro e afeta agora quatro países africanos.

A Libéria é um dos países mais afetados pelo surto do Ébola e impôs esta semana restrições severas à população, proibindo ajuntamentos públicos, incluindo os mercados tradicionais.

A Guiné-Conacri encerrou fronteiras com a Libéria e a Serra Leoa.

Um agente de emigração nigeriano mede a temperatura corporal de um rapaz no aerporto de Abuja, com um termómetro digital de laser, com parte das medidas contra a disseminação do Ébola

Em Lagos, capital da Nigéria, o país mais recentemente afetado, foram já confirmados 10 casos de Ébola e duas mortes. Os infetados são pessoas que estiveram em contacto com um passageiro proveniente da Libéria, que colapsou em pleno aeroporto no dia 25 de julho e que veio a morrer.
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