Líder basco anuncia iniciativa se ETA e Governo de Madrid não avançarem para paz

Juan José Ibarretxe anunciou hoje que o governo basco vai adoptar em Setembro uma "iniciativa política de cariz extraordinário" se até lá a ETA e o Executivo espanhol não avançarem concretamente na busca de paz.

Agência LUSA /

A decisão foi tomada na primeira reunião do Conselho Político para a Normalização do País Basco, que além de Ibarretxe contou ainda com a participação dos conselheiros da Justiça e da Habitação e Assuntos Sociais.

O conselho foi constituído um ano depois de o congresso ter recusado o denominado Plano Ibarretxe, uma proposta para um novo Estatuto Político de Livre Associação do País Basco com o Estado espanhol.

Escusando-se a avançar pormenores da iniciativa que tenciona aprovar, Ibarretxe insistiu em que o partido que governa o País Basco continua a "defender o direito do povo (basco) a decidir (o seu futuro) através de uma consulta popular".

"Queremos renovar esse compromisso perante a sociedade basca. Um compromisso cujo coração é a defesa do direito deste povo decidir através de uma consulta popular", disse.

Para Ibarretxe, a sociedade basca está "farta" de repetidos anúncios de movimentos para a pacificação que nunca se materializam e o governo basco "não pode nem vai estar de braços cruzados à espera de que os outros façam algo".

"A ETA tem de dar o passo definitivo e dizer que abandona definitivamente a violência e o governo espanhol deve desenvolver uma política penitenciária que respeite os direitos de todos, mesmo que tenham cometido delitos horríveis", afirmou.

Segundo Ibarretxe, deve ser igualmente convocado "um encontro de partidos que procure um acordo que seja depois submetido à consulta popular", encontro em que o ilegalizado Batasuna também deve participar.

No caso de, nos próximos meses, "não se darem os passos necessários", então o governo basco "tomará de novo a iniciativa política", disse.

O conselho que hoje se reuniu pela primeira vez foi amplamente criticado pela presidente do Partido Popular no País Basco, Maria San Gil, que o descreveu como "um mini- governo dentro do Governo", continuando sem "fazer nada em relação às vítimas, à liberdade e à convivência".

"Só serve para continuar a meter o Batasuna na vida política", afirmou.


PUB