Líder da África do Sul pede união regional em cimeira após marcha anti-imigração

Líder da África do Sul pede união regional em cimeira após marcha anti-imigração

O Presidente da África, Cyril Ramaphosa, pediu aos países da África Austral que se unam perante o "desafio da imigração", após uma manifestação contra os imigrantes, à margem de uma cimeira regional em Durban (leste).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Adriano Machado - Reuters

Na segunda-feira, no final da cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) em Durban, Ramaphosa enfatizou o "desafio da migração" e afirmou que o seu país tinha "manifestado o desejo de trabalhar em conjunto para o enfrentar".

A África do Sul, o país mais rico do continente, há muito que atrai migrantes, mas enfrenta uma taxa de desemprego superior a 30% e uma profunda desigualdade.

O país, que assumiu a presidência rotativa da SADC nesta cimeira, apelou a uma conferência continental sobre migrações.

Horas antes, cerca de 300 manifestantes anti-imigração marcharam na segunda-feira em Durban, à margem da cimeira, exigindo que os países dos líderes presentes "recebam de volta os seus cidadãos".

A manifestação, acompanhada de perto pela polícia, foi organizada pela March and March, um dos grupos radicais anti-imigração responsáveis por semanas de protestos que levaram dezenas de milhares de estrangeiros a fugir da África do Sul.

Um helicóptero e drones sobrevoaram a área enquanto polícias a cavalo e de mota escoltaram o grupo relativamente pequeno de manifestantes até às imediações do Centro Internacional de Convenções de Durban.

"Estamos aqui para vos dizer que levem de volta os vossos cidadãos que estão ilegalmente na África do Sul", disse Jacinta Ngobese-Zuma, que liderou a marcha, citando o Malawi, Moçambique e Zimbabué, três países cujos cidadãos representam a maioria dos cerca de 176 mil estrangeiros que abandonaram o país, à medida que os protestos se intensificavam.

A March and March, fundada pela ex-apresentadora da rádio Jacinta Ngobese-Zuma, realizou repetidas manifestações em Durban e outras cidades este ano, incluindo um protesto em massa em 30 de junho, marcando o prazo que estabeleceu para que estrangeiros sem documentos deixassem o país.

O grupo disse que a ação de segunda-feira tem como objetivo pressionar os líderes da SADC e o governo sul-africano a endurecer a fiscalização da imigração.

Numa conferência pública na sexta-feira, antes da cimeira, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, já tinha manifestado "profunda preocupação" e vergonha com a discriminação e os maus-tratos nos últimos meses a cidadãos de outros países.

Pelo menos quatro migrantes morreram, segundo a polícia sul-africana, embora os governos estrangeiros reportem um número de mortos maior.

A forma como o Governo da África do Sul lidou com os protestos e a violência tem sido criticada por outras nações africanas, incluindo o Gana e a Nigéria, que não são membros da SADC.

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