Líder da Coreia do Sul defende congelamento do programa nuclear de Pyongyang
O Presidente da Coreia do Sul disse que os Estados Unidos devem trabalhar para congelar o programa nuclear do Norte, em vez de procurar a sua eliminação imediata, em troca do alívio das sanções.
"Acredito que há um interesse considerável em encontrar um meio-termo entre as sanções --- que, de qualquer forma, não são particularmente eficazes --- e a interrupção do desenvolvimento de novas armas nucleares e de tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais", declarou Lee Jae-myung.
"Procurar a desnuclearização nas circunstâncias atuais garante que nada será alcançado", afirmou o líder da Coreia do Sul, numa entrevista ao jornal norte-americano New York Times, publicada hoje.
Uma posição reiterada por Lee em respostas por escrito a perguntas feitas pela agência de notícias Associated Press, antes de partir para Nova Iorque, onde irá participar, a partir de hoje, na sessão anual da Assembleia Geral da ONU.
"Para mudar a direção de um veículo em movimento, é preciso primeiro pará-lo", disse o Presidente sul-coreano. "Uma abordagem faseada --- paragem, redução e desmantelamento --- é uma forma prática de resolver eficazmente a questão nuclear norte-coreana", acrescentou.
"Dada a extensão do avanço das capacidades nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, não é uma solução realista esperar até que a desnuclearização completa possa ser alcançada de uma só vez", disse Lee.
"Isto porque, nesse intervalo, as capacidades nucleares da Coreia do Norte continuarão a avançar, aumentando a ameaça", sublinhou.
Lee afirmou que, durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU, iria procurar "uma solução gradual e pragmática para a questão nuclear norte-coreana" e trabalhar com base na sua visão de promover a paz na península coreana.
O líder sul-coreano mencionou a recente proposta de negociações para terminar formalmente a Guerra da Coreia (1950-1953) e disse que a iniciativa permitiria explorar formas de conter o programa nuclear norte-coreano.
A Coreia do Norte e a Coreia do Sul continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-1953 terminou com um armistício, e não com um tratado de paz.
Lee defendeu um diálogo abrangente para estabelecer uma estrutura que beneficie a Coreia do Sul, os EUA e a Coreia do Norte, e salientou a necessidade de mostrar a Pyongyang que "avançar para uma paz estável e duradoura é um caminho realista e viável para um futuro seguro e próspero".
A imprensa oficial da Coreia do Norte disse hoje que o país testou no domingo uma arma de "novo tipo", num teste acompanhado pelo líder Kim Jong-un, sem adiantar mais pormenores.
O estatuto de potência nuclear da Coreia do Norte --- que realizou o seu primeiro teste nuclear em 2006 e, desde então, desenvolveu uma vasta gama de mísseis balísticos --- está consagrado na sua Constituição desde 2023.