Líder da oposição indiana detido e libertado após protesto

Líder da oposição indiana detido e libertado após protesto

O líder do Partido do Congresso, principal força da oposição ao governo indiano, foi brevemente detido pela polícia na terça-feira, enquanto participava num protesto que exigia a demissão do primeiro-ministro, Narendra Modi, um dia depois de uma das maiores manifestações dos últimos anos em Deli.

RTP / Adicionar como fonte informativa
O momento da detenção do líder do Partido do Congresso Indiano, Rahul Gandhi | Foto: Hindustan Times/Sipa USA via Reuters Connect

A manifestação foi organizada pelo recém-criado movimento autointitulado “Partido da Barata”, uma formação liderada por jovens que começou como uma sátira na internet, e mobilizou na segunda-feira um dos maiores protestos antigovernamentais dos últimos anos. 

Durante a manifestação, a polícia recorreu à força, utilizando gás lacrimogéneo e bastões, provocando dezenas de feridos.

Rahul Gandhi, chefe do Partido do Congresso, foi retirado à força pela polícia quando participava num protesto sentado em frente à residência de Modi, na tarde de terça-feira, após acusar o primeiro-ministro de “destruir o futuro da juventude indiana”.

A irmã de Gandhi, Priyanka, uma das principais estrategas do partido, também foi detida na terça-feira. A polícia confirmou que ambos foram posteriormente libertados.
Manifestantes pedem demissão do primeiro-ministro
A detenção de Rahul Gandhi sucedeu-se à exigência de demissão do primeiro-ministro, após a violenta repressão do protesto no dia anterior,
que reclamava reformas no sistema universitário e o afastamento do ministro da Educação.

“[Narendra] Modi deve demitir-se por destruir o futuro da juventude indiana", disse Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, numa mensagem publicada nas redes sociais enquanto, com outros deputados, caminhava em direção à residência do primeiro-ministro, em Nova Deli.

Na segunda-feira, milhares de pessoas concentraram-se na capital indiana, em resposta ao apelo do movimento de protesto "Partido da Barata (CJP)", que uniu a indignação em relação às fraudes nos exames e o descontentamento da juventude do país.

Durante esta manifestação, uma das maiores desde que Narendra Modi chegou ao poder em 2014, pelo menos 180 pessoas ficaram feridas, de acordo com a informação disponibilizada pela polícia. Os estudantes alegaram que centenas ficaram feridas depois de as forças de segurança terem disparado granadas de gás lacrimogéneo e usado bastões contra os jovens.

O movimento de protesto indiano prometeu já continuar a mobilização até à demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e à reformulação dos exames.

O grupo, cujas iniciais CJP imitam as do Partido Bharatiya Janata (BJP) de Modi, foi criado em maio e tem milhões de seguidores nas redes sociais.

"Não vamos parar. [Dharmendra] Pradhan deve ser demitido", escreveu Ashutosh Ranka, membro do partido, nas redes sociais, um dia depois da maior manifestação na capital indiana em cinco anos.

Centenas de manifestantes permaneceram acampados no local do protesto, muitos exigindo reformas profundas no sistema educativo e nos exames. O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, pediu aos participantes que não "perdessem a esperança". A oposição no Parlamento exigiu um debate sobre a violência no protesto de segunda-feira.

"Os estudantes foram agredidos por fazerem perguntas legítimas sobre o próprio futuro", tinha afirmado, mais cedo, Rahul Gandhi.
Apesar do rápido crescimento económico, milhões de pessoas no país mais populoso do mundo lutam para encontrar empregos estáveis e bem remunerados, alimentando o descontentamento entre os jovens, exacerbado por uma série de escândalos de fraudes em exames que abalaram a confiança no sistema de avaliação do país.

Em maio, as fraudes levaram à invalidação de um exame realizado por mais de dois milhões de aspirantes ao curso de medicina. Este revés terá levado vários candidatos ao suicídio.

Num discurso na câmara baixa do Parlamento, o ministro dos Assuntos Parlamentares defendeu o Governo e afirmou que este agiu rapidamente para conter as fraudes durante os exames, tendo detido vários suspeitos.

Kiren Rijiju acrescentou que, durante uma reunião à porta fechada com aliados da coligação governamental, o primeiro-ministro pediu um "mecanismo à prova de falhas" para evitar quaisquer irregularidades futuras.

Narendra Modi ainda não se pronunciou diretamente sobre o movimento de protesto.

(Com agências)
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