Líder do MLSTP pede maioria absoluta mas admite coligação pós-eleitoral
O líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) afirmou, em entrevista à Lusa, que quer garantir uma maioria absoluta nas legislativas de domingo, mas admitiu avançar para uma coligação pós-eleitoral.
Américo Barros apelou ao voto útil, não só para combater a abstenção, que atingiu um valor recorde nas presidenciais de julho (58,81%), mas também para explorar eventuais divisões no partido do poder, a Ação Democrática Independente (ADI) e na coligação Movimento de Cidadão Independentes/Partido de Unidade Nacional (MCI/PUN).
No caso da ADI, o líder histórico Patrice Trovoada, após ser destituído de chefe do Governo, foi afastado da liderança, assumida agora pelo atual primeiro-ministro, Américo Ramos, que também vai a votos. Após as presidenciais, Trovoada apelou aos militantes da ADI que não fossem votar. Já a coligação MCI-PUN foi impedida de concorrer em cinco círculos eleitorais pelo Tribunal Constitucional.
O presidente do MLSTP defende que o desejo de conquistar uma maioria absoluta serve para "assegurar a estabilidade política e investimento estrangeiro" e que, para isso, são necessárias reformas que garantam uma pacificação política, a separação de poderes e uma Justiça funcional e imparcial.
"Todo o processo de [atração de] investimento, terá que ter esses três pontos, obviamente, respeitados", afirmou o líder da oposição do país lusófono cujo investimento público depende em cerca de 90% de financiamento externo.
"O país, em vez de andar para frente, anda para trás quando nós não temos estabilidade. (...) Por isso vamos apostar na Justiça. Vamos dotá-la de meios para funcionar. E também uma justiça que seja imparcial", salientou.
O presidente do MLSTP tem-se desdobrado na defesa de um programa focado em quatro eixos: "Poupar, Investir, Produzir e Proteger".
No plano económico, o líder da oposição - que quer chegar a primeiro-ministro, apesar do partido não conseguir vencer umas legislativas há 24 anos - assegurou que o plano de poupança assenta em fortes cortes nos desperdícios do Estado. E propõe uma transição energética acelerada para fontes renováveis (fotovoltaica e mini-hídricas) para reduzir a atual despesa anual de cerca de 70 milhões de dólares na aquisição de combustíveis fósseis, prevendo uma poupança imediata de 17 milhões de dólares/ano.
Para além das infraestruturas e dos setores primário (agricultura, pecuária e pescas) e terciário (saúde e turismo), o programa eleitoral prevê uma estratégia de proteção social que começa numa primeira fase com o apoio direto às franjas mais vulneráveis, a 25 mil famílias.
O candidato comprometeu-se ainda com a criação da universidade pública gratuita e de estágios remunerados. E justificou: "Não podemos permitir que a pobreza defina a vida ou o futuro de um jovem". O candidato propõe também a criação de incentivos fiscais e redução de taxas alfandegárias.
O Banco Mundial aponta que apenas cerca de 21% da população com mais de 15 anos se encontra ativamente empregada, com a escassez de oportunidades a potenciar a emigração de jovens, sobretudo para Portugal. Com uma agravante: as remessas da diáspora diminuíram.
Em dezembro de 2024, a ONU retirou oficialmente a nação da categoria de Países Menos Desenvolvidos, reconhecendo progressos sustentados, mas cerca de 13% da população vive abaixo da linha de pobreza extrema e mais de dois terços sofre de vulnerabilidades socioeconómicas.