Líder do partido indiano das "baratas" detido antes de manifestação prevista em Nova Deli
Abhijeet Dipke, chefe do movimento das "baratas", líder da revolta estudantil na Índia, foi hoje detido em Nova Deli antes da manifestação não autorizada que convocou para exigir a demissão do presidente da Comissão Eleitoral, segundo o movimento.
"Abhijeet Dipke detido!", escreveu o "Partido Popular das Baratas" nas redes sociais, divulgando imagens de um avião, apresentado como o que trouxe Dipke à capital para participar na manifestação.
O movimento juvenil indiano anunciou a realização hoje de novos protestos na capital indiana, intensificando uma campanha a nível nacional contra uma controversa revisão do recenseamento eleitoral que tem alimentado a indignação contra as autoridades eleitorais e contra o Governo do primeiro-ministro Narendra Modi.
Milhares de manifestantes são hoje esperados em Jantar Mantar, o local designado para protestos na capital indiana, onde as autoridades impuseram restrições generalizadas, incluindo a suspensão da internet móvel.
A polícia anunciou na sexta-feira que tinha recusado a autorização para o protesto porque o pedido foi apresentado fora do prazo.
O local da manifestação foi isolado com barricadas metálicas amarelas e milhares de agentes da polícia foram destacados para dentro e à volta da zona. Prevê-se que as restrições aos serviços ferroviários e às estações de metro perturbem as deslocações pela capital e tornem mais difícil aos manifestantes chegarem ao local do protesto.
Estes preparativos revelam a determinação das autoridades em conter uma campanha de protesto em rápido crescimento, que mobilizou milhares de jovens, atraiu o apoio da oposição e intensificou o escrutínio sobre Modi.
Os protestos surgem também num momento politicamente delicado, meses depois de as manifestações lideradas pelo movimento "Cockroach" (Barata), motivadas pelo vazamento de provas de exames, terem forçado o ministro da Educação de Modi a demitir-se em julho.
Entretanto, a polícia interveio já hoje para intercetar os manifestantes antes que estes pudessem chegar ao local do protesto, afugentando alguns e detendo outros. Os detidos foram amontoados em viaturas da polícia e levados.
Nos pontos de acesso ao centro de Nova Deli, os agentes pararam autocarros, carros e outros veículos, subindo a bordo para procurar pessoas que se dirigissem às manifestações.
Veículos anti-motim equipados com lançadores de gás lacrimogéneo estavam posicionados ao longo das principais vias. Os jornalistas também enfrentaram restrições em algumas zonas enquanto tentavam cobrir a manifestação.
Os protestos centram-se na "Revisão Intensiva Especial" da Comissão Eleitoral da Índia, que, segundo a oposição, privou milhões de eleitores elegíveis do direito de voto.
Os manifestantes exigem a demissão do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, e o fim desta medida, que, até ao momento, removeu mais de 130 milhões de nomes dos cadernos eleitorais.
A Comissão Eleitoral e o governo rejeitam as alegações de manipulação do eleitorado, afirmando que a revisão tem como objetivo eliminar registos duplicados e inelegíveis.
A disputa tornou-se um foco de mobilização para os partidos da oposição, que procuram desafiar o Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu, de Modi.
A manifestação de hoje surge na sequência de dias de protestos na capital indiana, onde os deputados da oposição também intensificaram a sua campanha, tendo o líder do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, sido detido brevemente pela polícia.
Para Modi, os protestos representam um desafio a meio do seu terceiro mandato, embora o impacto político continue a ser incerto. As eleições nacionais só estão previstas para 2029, mas as eleições estaduais do próximo ano em Uttar Pradesh --- o estado mais populoso da Índia, governado pelo BJP --- e em Gujarat, o estado natal de Modi, irão pôr à prova a posição do partido.