Líder radical xiita Moqtada Sadr pede contenção a xiitas e sunitas

O líder radical xiita iraquiano Moqtada Sadr rompeu hoje um silêncio de quase um ano para pedir contenção às duas principais comunidades religiosas do país, xiitas e sunitas, numa altura em que se multiplicam os incidentes entre ambas.

Agência LUSA /

"As forças de ocupação estão a tentar dividir o povo iraquiano. Mas não há xiitas e sunitas, só há iraquianos", disse Moqtada Sadr à imprensa na sua residência, no bairro Hanana da cidade santa de Najaf (centro-sul do Iraque).

"Qualquer acção contra civis desarmados é proibida, sejam quais forem as circunstâncias. Rejeitamos as operações terroristas, partam elas das forças ocupantes ou de outras forças", disse o líder radical.

Há quase um ano, as milícias de Moqtada Sadr (Exército de Mehdi) combateram durante três semanas as forças norte-americanas e iraquianas em torno do mausoléu do imã Ali, em Najaf. O conflito só terminou com a conclusão, no final de Agosto de 2004, de um acordo assinado sob a égide do grande ayatollah Ali Sistani, a mais alta autoridade religiosa xiita do Iraque.

As declarações de hoje de Moqtada Sadr ocorrem numa altura em que aumenta a tensão entre a maioria xiita (cerca de dois terços da população) e a minoria sunita (cerca de um quarto), na sequência da descoberta, este fim-de-semana em vários locais, de quase meia centena de cadáveres de homens mortos a tiro, decapitados ou degolados, deixados a céu aberto.

Um dos responsáveis sunitas de Bagdad, Adnan Salam al-Dulaimi, afirmou hoje que vários dos corpos descobertos são de sunitas e responsabilizou implicitamente as forças de segurança (maioritariamente xiitas) por essas mortes.

Mais tarde, o comité dos ulemas (principal organização religiosa sunita do país) apontou também o dedo às forças de segurança, mais especificamente a brigada anti-terrorista designada "Brigada Al Zeb".

Segundo o porta-voz dos ulemas, Muzana Harez al-Dari, os 13 cadáveres encontrados hoje de manhã no bairro de Chaath, na capital, "eram de sunitas assassinados pelas forças de segurança com um tiro na cabeça".

Al-Dari disse ainda que, junto aos 13 cadáveres, estavam dois civis gravemente feridos mas vivos, que foram transportados ao hospital mas que "um deles foi depois levado (do hospital) por membros das forças de segurança para um local desconhecido".

O porta-voz do primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari condenou entretanto estas matanças e assegurou que as forças de segurança estão a tentar identificar os responsáveis.

Estes ataques, segundo o porta-voz, "têm por objectivo criar conflitos sectários no país, porque esse tipo de confrontos pode dar origem ao aparecimento de novos recrutas para os grupos" da resistência. "O governo está ciente disso e não vai permitir que sejam bem sucedidos", acrescentou.

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