Líderes da UE pedem moratória aos ataques contra infraestruturas energéticas no Médio Oriente

Líderes da UE pedem moratória aos ataques contra infraestruturas energéticas no Médio Oriente

Os líderes dos 27 países da União Europeia apelaram, esta quinta-feira, a uma suspensão temporária dos ataques a infraestruturas energéticas e hídricas, no meio de crescentes preocupações sobre o impacto da guerra com o Irão na economia global.

RTP /
Jana Rodenbusch - Reuters

Os líderes dos 27 discutiram a situação no Médio Oriente e as suas implicações mais vastas durante uma cimeira regular em Bruxelas, esta quinta-feira.

Nas conclusões da cimeira do Conselho Europeu relativas ao conflito no Médio Oriente, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia afirmam que os "desenvolvimentos no Irão e na região mais ampla ameaçam a segurança regional e global", sem nunca se referirem diretamente aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

"O Conselho Europeu apela à desescalada e à máxima contenção, à proteção de civis e infraestruturas civis e ao pleno respeito pelo direito internacional por todas as partes", disseram os líderes em conclusões escritas após as suas conversações.

"Nesse sentido, pede-se uma moratória nas greves contra as instalações de energia e água", apelam.

Esta proposta de moratória tinha sido avançada esta quarta-feira pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e, esta quinta-feira, subscrita pelos líderes do Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos, França e Japão num comunicado conjunto.

Os chefes de Estado e de Governo "condenam todos os atos que ameacem a navegação ou impeçam a entrada e saída de navios do estreito de Ormuz", no Golfo Pérsico.

"O Conselho Europeu congratula-se também com os esforços intensificados anunciados pelos Estados-membros, incluindo a coordenação reforçada com os parceiros na região, para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz quando as condições o permitirem", acrescentam.
Líderes da UE pedem vigilândia para fluxos migratórios
Os líderes da UE afirmam ainda que a guerra no Irão não provocou fluxos migratórios imediatos para a União Europeia, mas apelaram a que se aprendam as lições da crise migratória de 2015, de forma a evitar uma situação semelhante.

"Embora o conflito ainda não tenha resultado em fluxos migratórios para a União Europeia, o Conselho Europeu destaca a importância de manter um elevado grau de vigilância", afirmaram.

Os responsáveis da UE afirmaram ainda que o bloco está pronto para mobilizar plenamente os seus instrumentos diplomáticos, jurídicos, operacionais e financeiros para impedir movimentos migratórios descontrolados e proteger a segurança na Europa.

Em comunicado, acrescentaram que a UE está pronta para apoiar os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a alcançar um fim duradouro das hostilidades.

As menções relativas a Israel encontram-se apenas nas conclusões relativas ao Líbano e à Faixa de Gaza e Cisjordânia.

No que se refere ao conflito no Líbano, pedem a Telavive para se "abster de novas escaladas através de operações aéreas ou terrestres e a respeitar a soberania e a integridade territorial do Líbano" e condenam veementemente "a decisão do Hezbollah de atacar Israel em apoio ao Irão", instando o movimento xiita a "parar imediatamente".

Relativamente à Palestina, os líderes da UE manifestam "preocupação séria" com a "deterioração da situação em Gaza e na Cisjordânia", reiterando a defesa da solução dos dois Estados e pedindo que se implemente o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

c/agências
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