Líderes do Congresso reconhecem vitória "consagrante" de Lula
Os líderes do Congresso brasileiro reconheceram este domingo a vitória eleitoral do Presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, não obstante a contestação do adversário, Flávio Bolsonaro.
Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, ambos de partidos de centro-direita, felicitaram Lula durante uma conferência de imprensa conjunta e defenderam a solidez do processo eleitoral, pouco depois de o candidato derrotado ter afirmado que lhe era "impossível" reconhecer os resultados.
Alcolumbre classificou a vitória do líder progressista como "consagrante", devido à diferença de mais de quatro milhões de votos, e afirmou que as urnas eletrónicas, utilizadas há décadas e que têm sido alvo de críticas da extrema-direita em várias ocasiões, constituem um "património" da democracia brasileira.
O senador afirmou ainda que, a partir de agora, o Congresso estará orientado para a "pacificação", porque, nos termos de Alcolumbre, "um país dividido não é bom nem para o povo brasileiro nem para as instituições".
Na mesma linha, Hugo Motta afirmou que a democracia é "soberana" e que o povo tinha feito a sua escolha através das urnas.
Lula afirmou hoje, no discurso após a vitória, que trabalhará com o Congresso para aprovar os projetos do Governo, apesar do fortalecimento dos partidos de direita nas duas câmaras do Parlamento brasileiro.
A relação entre o Presidente e os dois líderes do Congresso tem sido conturbada, com vários altos e baixos nos últimos dois anos.
No entanto, houve uma reaproximação na véspera das eleições, o que levou à aprovação, há duas semanas, de uma reforma constitucional para reduzir a semana de trabalho de seis para cinco dias e estabelecer dois dias de descanso.
A aprovação desta medida popular, uma das prioridades de Lula, deu um impulso à campanha do Presidente precisamente quando mais precisava, depois de na primeira volta destas presidenciais ter ficado atrás de Bolsonaro.
O líder progressista conquistou um quarto mandato ao obter 52% dos votos, contra 48% do senador de extrema-direita.