Líderes do G8 preocupados com aumento de sequestros em África

A reunião dos líderes dos oito países mais ricos do mundo termina hoje em Enniskillen, Irlanda do Norte. Em cima da mesa, o aumento dos raptos em África, que se tornou a principal fonte de financiamento dos grupos terroristas islâmicos, grupos armados ou simplesmente criminosos. David Cameron, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, o país anfitrião, convidou os líderes da Líbia e da União Africana para participar das conversações ao lado de Japão, Alemanha, Estados Unidos, França, Itália, Canadá e Rússia.

Graça Andrade Ramos, RTP /
David Cameron, primeiro-ministro britânico, quer chamar a atenção para o crescente problema dos sequestros em África Stefan Rousseau, Reuters

David Cameron quer que as nações e empresas responsáveis pelos estrangeiros raptados deixem de pagar os resgates pedidos pelos raptores, que podem atingir milhares de milhões de euros. O primeiro-ministro britânico acredita que só dessa forma será possível deter o flagelo.
O risco de sequestro em África aumentou vertiginosamente na última década,de acordo com um relatório securitário de outubro de 2012. Em 2004 foi de apenas 2%, mas entre 2003 e 2011 o mesmo risco aumentou a nível global de 5% para 35%.


O motivo do rapto varia, desde o simplesmente criminal da Nigéria, à pirataria na Somália e no Golfo da Guiné, até aos raptos ideológicos do Sahel.

A maioria dos alvos são organizações afluentes como companhias petrolíferas, mineiras ou de construção.

Os grupos de auxílio humanitário, incluindo associações de caridade e Organizações Não Governamentais (ONG) são também alvos apetecíveis, sobretudo no Sudão, na Somália e no Quénia.

O recente desenvolvimento da exploração de petróleo e de gás na Nigéria e, mais recentemente, na zona leste do continente, do Quénia, Tanzânia, Uganda, Moçambique e até à Somália contribuiu igualmente para o aumento dos raptos.
O fenómeno islâmico
Os grupos islâmicos descobriram recentemente o filão do negócio dos sequestros e, ao longo do Sahel e na Nigéria, recorrem com cada vez maior frequência a este meio de financiamento das suas atividades, sobretudo desde a Primavera Árabe e da queda de regimes autoritários na região. Justificam as suas ações de forma ideológica.

Os grupos mais ativos são o Boko Haram, na Nigéria, o al-Shabab na Somália e a Al Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM), que operam, sem ligar a fronteiras, na Nigéria, Níger, Mali, Argélia, Quénia e Somália.

Mais recentemente tem havido sequestros na Mauritânia, no Chade e no Burkina Faso, a ocidente de África, assim como na Etiópia e no Uganda, a leste. Os valores pedidos pelos resgates têm também vindo a crescer.

Estes sequestros estão igualmente a aumentar de frequência, de duração e de violência. São também a razão principal para a recente preocupação dos líderes mundiais e inscrevem os raptos na lista de actividades terroristas. Por enquanto, os trabalhadores estrangeiros, potencialmente mais rentáveis, não são os maiores alvos, mas são também mais guardados e em menor número. A maioria dos sequestros (82%) visam por isso cidadãos locais contra uma minoria (18%) de estrangeiros.

O mais recente e espetacular sequestro decorreu na Argélia no início de 2013, quando o líder de um grupo ligado à Al Qaeda tomou de assalto a refinaria de Al Amenas, explorada por várias empresas ocidentais.

A operação das forças argelinas para retomar o controlo do local saldou-se por 40 mortos, entre eles, dez japoneses, cinco britânicos, três americanos e um francês.
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