Líderes separatistas do antigo Biafra acusados de traição
O Supremo Tribunal da Justiça de Abuja, Nigéria, acusou hoje de traição o líder do Movimento para a Actualização do Estado Soberano do Biafra (MASSOB, sigla em inglês), Ralph Uwazurike, e outros seis dirigentes do grupo separatista.
O MASSOB reivindica um Estado para a etnia igbo, que habita o sudeste da Nigéria, região onde se encontram alguns dos maiores depósitos petrolíferos do país, e que em 1967 declarou unilateralmente a sua independência com o nome de Biafra.
A independência do Biafra conduziu a uma guerra civil que se prolongou até 1970 e causou a morte de mais de um milhão de pessoas, a maioria das quais de fome devido ao bloqueio imposto contra à região pelo Governo federal.
Uwazurike, detido em Outubro passado, e os seis outros dirigentes do MASSOB foram acusados de propor novamente a separação da zona e a criação de um exército do Biafra.
Os sete homens vão ficar detidos até 06 de Dezembro, data do início do julgamento.
O MASSOB foi banido há três anos, mas continua a operar ilegalmente.
O movimento separatista do antigo Biafra não é o único grupo independentista na mira do Governo federal nigeriano, que em Setembro deteve e acusou também de traição o líder das Forças Populares Voluntárias do Delta do Níger, Alhaji Mujaheed Dokubo Asari.
Com quase 130 milhões de habitantes, que integram mais de 200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais povoado de Africa, é considerado um dos mais complicados casos do continente, porque as diferenças em questões políticas, religiosas e territoriais acabam, quase sempre, em confrontos armados.