Ligação à Internet por cabo submarino chega ao Príncipe até 2025

A ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe, deverá estar ligada a fibra ótica por cabo submarino até 2025, o que permitirá apostar na telemedicina e atrair nómadas digitais, disse o presidente do governo regional.

Lusa /

Em entrevista à Lusa a propósito dos 10 anos da declaração do Príncipe como reserva da biosfera da UNESCO, que se assinalam hoje, Filipe Nascimento explicou que a ligação do príncipe à fibra ótica por cabo submarino está a ser preparada ao abrigo de um projeto financiado em cerca de 21 milhões de euros pelo Banco Mundial, que está atualmente em fase de negociação, esperando-se que esteja pronto em três anos.

"Muitas negociações já decorreram. (...) Aquilo que tem sido perspetivado é que entre este e o próximo ano haja o início da implementação, mas leva o seu tempo", disse o governante, estimando que, aproximadamente em 2025 possa já haver cabo submarino no Príncipe. "Mas pode ser antes", adiantou.

Nascimento lembrou que São Tomé tem desde 2011 ligação por cabo submarino de fibra ótica, que permite o acesso à Internet em banda larga na ilha, mas nessa altura não foi possível estender essa ligação ao Príncipe.

"Nós todos, a população em geral, sempre encarámos isso com uma certa tristeza", disse o presidente do governo regional, congratulando-se por finalmente ser possível "dar essa resposta à população e aos investidores" da ilha.

O responsável defendeu que esta infraestrutura "vai beneficiar a transição digital" e vai permitir que o Príncipe, que já tem Internet, passe a ter Internet de melhor qualidade.

Para o Governo regional, esta novidade permite apostar em áreas como a telemedicina ou o teletrabalho, que ganharam visibilidade com a pandemia de covid-19.

"Vamos apostar fortemente nos nómadas digitais, pessoas que queiram trabalhar a partir do Príncipe. (...) Estamos a preparar as condições para que o Príncipe também seja esse território privilegiado pela qualidade de vida, qualidade ambiental, paz e sossego que caracterizam o Príncipe, que também haja estrangeiros ou nacionais que trabalham fora que escolham continuar na sua empresa, mas trabalhar a partir do Príncipe", disse.

Acrescentou ainda uma aposta no "turismo sénior, voltado para a saúde de recuperação", objetivo que será preparado ao longo dos próximos anos.

No âmbito da transição digital, as autoridades do Príncipe, com parceiros como a JP Sá Couto, a Fundação Millenium e a Intel, adquiriram 4.000 computadores -- o que corresponde mais ou menos ao número dos alunos no sistema escolar.

"O objetivo é que todos os alunos tenham acesso a um computador. (...) Estamos a ir em fases. Os professores têm acesso ao computador, os alunos do último ciclo do ensino secundário e vamos continuar do nono ano para baixo", explicou.

O Governo regional pretende assim que cada aluno, "independentemente da sua situação económica e da zona onde vive", tenha acesso a um computador para fins educativos.

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