Livro Bege da Reserva Federal mostra conjuntura dos EUA com evolução favorável
O mercado de emprego nos EUA mostra sinais de acalmia, apesar de uma taxa de desemprego que se tem mantido fraca e uma progressão das contratações, segundo um inquérito divulgado hoje pela Reserva Federal (Fed).
"O emprego progrediu modestamente" em relação ao inquérito anterior, divulgado no final de maio, "com um crescimento na maior parte das regiões", realçou o banco central dos EUA no seu Livro Bege, um relatório económico que costuma ser divulgado duas semanas antes da reunião do comité de política monetária da Fed (FOMC, na sigla em Inglês).
Este barómetro de atividade, que agrega informação proveniente das 12 regiões em que a Fed divide os EUA, evidencia "uma melhoria da mão-de-obra disponível, com empregadores a sublinhar que é mais fácil recrutar do que tem sido".
Mais ainda, o nível de rotação dos efetivos "anormalmente elevado nos últimos anos", o que favorecia a subida dos salários, está a regressar ao observado antes da pandemia.
Os salários "continuam a aumentar, mas mais moderadamente", sublinhou-se no documento.
Os dirigentes de empresas interrogados continuam, contudo, a assinalar "dificuldades em encontrar trabalhadores", em particular em setores como a hotelaria, os transportes e a saúde.
O Livro Bege apontou também para "um crescimento ligeiro da economia" ao nível nacional.
A expansão é apoiada em particular pelo consumo, mas "envolve antes de mais os serviços, com os comerciantes a apontarem uma redução das despesas discricionárias".
Por outro lado, as condições de concessão de crédito "continuam a aliviar", mas a atividade da construção baixou ligeiramente.
Contudo, a procura de habitação, item que continua a aumentar o crescimento dos preços, continua sustentada.
Por fim, o Livro Bege salientou que o ritmo de subida dos preços diminuiu em várias regiões, ao passo que "os consumidores se mostram cada vez mais sensíveis aos preços".
O inquérito foi feito ao longo do mês de junho.
O FOMC vai reunir em 25 e 26 de julho e decidir sobre a necessidade de uma nova subida da taxa de juro de referência, depois da pausa verificada na última reunião, em meados de junho.
Os analistas esperam uma nova subida, desta vez em 25 pontos-base da taxa de referência, que está situada no intervalo entre 5,0% e 5,25%, e a própria Fed admite pelo menos mais uma alta suplementar até ao final do ano.
Mas o crescimento dos preços em junho foi mais fraco do que esperado, com o índice de preços no consumidor, divulgado hoje, a ser de 3,0% em termos anuais, o valor mais fraco desde março de 2021.
Desta forma, os analistas começam a admitir que a subida esperada em julho possa ser a última do ciclo.