Liz Cheney perde primárias republicanas no Wyoming para candidata apoiada por Trump

por RTP
Liz Cheney perdeu as primárias republicanas no Wyoming David Stubbs - Reuters

A congressista Liz Cheney, adversária do ex-presidente norte-americano Donald Trump, perdeu na terça-feira as primárias republicanas no Estado do Wyoming e a possibilidade de ser reeleita nas eleições de novembro.

Segundo as projeções da grande parte dos media norte-americanos, Cheney perdeu no Wyoming para a candidata apoiada por Trump, Harriet Hageman, resultado já antecipado pelas sondagens e pelo histórico eleitoral do Estado.

No Wyoming, um Estado com uma população pequena e com uma forte tendência conservadora, Trump venceu as eleições presidenciais de 2020 com o apoio de sete em cada dez cidadãos e uma vantagem de 43 pontos percentuais sobre o democrata Joe Biden.

A congressista, filha de Dick Cheney, antigo vice-presidente de George W. Bush, é a última vítima republicana de Trump, após a maioria dos congressistas conservadores que, como ela, votaram a favor de um julgamento político a Trump após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, também terem perdido as suas primárias ou anunciado que iam abandonar a política.

O resultado desta terça-feira mostra que o ex-presidente, cuja candidatura às eleições presidenciais de 2024 parece provável, continua a ter grande apoio entre a base do Partido Republicano, como já havia sido indicado nas primárias de vários outros Estados como Ohio, Pensilvânia, Arizona e Michigan.

Os resultados são ainda um poderoso lembrete da rápida mudança do Partido Republicano à direita. Um partido antes dominado por conservadores voltados para a segurança nacional e para a vertente empresarial, como o próprio Dick Cheney, agora pertence a Trump, animado pelo seu apelo populista e, acima de tudo, pela negação da derrota nas eleições de 2020.

A derrota de Cheney teria sido impensável há apenas dois anos. Contudo, a congressista, no seu terceiro mandato, e os seus aliados, já haviam começado o dia desanimados, cientes de que o apoio que Trump deu a Harriet Hageman lhe daria uma vantagem considerável no estado onde vencera pela maior margem durante a campanha de 2020.

Cheney descreveu a sua derrota de terça-feira como o início de um novo capítulo na sua carreira política ao dirigir-se a um pequeno grupo de apoiantes, incluindo o pai.

"O nosso trabalho está longe de terminar", disse a congressista, que passou por censuras dentro do Partido Republicano e foi alvo de ameaças de morte após integrar no painel do Congresso que investiga o papel de Trump no ataque ao Capitólio.

c/ agências

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