Luís Fonseca insta países doadores a disponibilizar recursos para Bissau
O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), embaixador Luís Fonseca, disse hoje, em Brasília, esperar que os países que se comprometeram a apoiar a Guiné-Bissau financeiramente disponibilizem rapidamente os recursos para aquele país.
Segundo Fonseca, o Grupo de Contacto Internacional para a Guiné-Bissau reunir-se-á em Lisboa, a 26 de Março, para fazer um balanço dessa situação.
"Estamos à espera de que os países que fizeram promessas de apoio financeiro indiquem claramente a sua disponibilização para que os recursos cheguem à Guiné-Bissau. Há que quebrar o círculo vicioso de que não se dá recursos porque a situação do país não é estável e que a situação não é estável porque não há recursos", afirmou o secretário executivo da CPLP.
De acordo com Luís Fonseca, foram feitas promessas de mais de 30 milhões de dólares à Guiné-Bissau, que, apesar de insuficientes, seriam uma ajuda importante para o país, que começa a atravessar um período de recuperação.
O Grupo Internacional de Contacto para a Guiné-Bissau foi formalizado à margem da 61ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a 21 de Setembro do ano passado, e é formado por Angola, Brasil, Cabo Verde, Espanha, França, Gambia, Gana, Guiné, Níger, Nigéria, Portugal, Senegal, União Africana e União Europeia.
Integram também o grupo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Económica e Monetária de África Ocidental (UEMOA), além da ONU e da CPLP.
Luís Fonseca falava aos jornalistas após reunir-se hoje com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com quem discutiu também a situação de Timor-Leste.
"Todos os países de língua portuguesa estão altamente preocupados com a situação de Timor-Leste que, entretanto, dá sinais de alguma estabilização", assinalou.
O embaixador disse ainda que a CPLP está a preparar o envio de observadores para as eleições que terão lugar a 09 de Abril e que o Brasil também está "empenhado" em participar neste exercício.
A missão de observadores terá representantes de todos os países da CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, além de Timor-Leste.
Luís Fonseca cumpre um extenso programa de actividades no Brasil, que teve início a 07 de Março e compreende as cidades do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Salvador.
No Rio de Janeiro, o secretário executivo da CPLP encontrou-se com o presidente da Câmara Municipal, César Maia, e com o embaixador José Aparecido, um dos principais idealizadores da CPLP.
Em Brasília, além do encontro com o ministro Amorim, Fonseca reuniu-se com os ministros da Educação e da Saúde, Fernando Haddad e Agenor Álvares, com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, e foi recebido no Congresso Nacional.
Na quarta-feira, visitará em São Paulo o Museu de Língua Portuguesa, as Universidades de São Paulo (USP) e de Campinas (Unicamp) e a Federação das Indústrias do Estado (FIESP), seguindo na quinta-feira para Salvador da Baía, Nordeste do Brasil.
O embaixador regressa a Lisboa a 17 de Março.