Lula da Silva bate recorde de popularidade, mas adversário lidera corrida às presidenciais

Brasília, 31 Mar (Lusa) - A popularidade do Presidente Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), bate recorde e chega a 55 por cento, superando todos os seus antecessores desde 1990, segundo pesquisa do instituto Datafolha hoje divulgada.

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Na comparação com a última pesquisa desse instituto, em Novembro, Lula da Silva registou crescimento de cinco pontos percentuais em sua aprovação, o que demonstra que a crise dos cartões de crédito do governo não afectou a imagem do Presidente e da sua administração.

A sondagem de Março indica, entretanto, que o governador de São Paulo, José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), da oposição ao governo Lula, continua a liderar a corrida presidencial.

A dois anos e meio da eleição para a Presidência do Brasil, Serra tem pelo menos 16 pontos de vantagem sobre o deputado federal Ciro Gomes, que aparece em segundo lugar na pesquisa realizada entre 25 e 27 de Março.

O actual percentual do governador paulista varia entre os 36 e os 38 por cento.

Ciro Gomes, da base de apoio ao Presidente Lula, aparece com 20 a 21 por cento da preferência do eleitorado quando o adversário é José Serra.

O deputado do Partido Socialista Brasileiro (PSB) assume a liderança, entretanto, preferido por 28 a 32 por cento dos eleitores, quando Serra é substituído pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também do PSDB.

"O quadro sucessório no Brasil ainda está bem indefinido. Desde o ano passado, Serra lidera as pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais, mas Lula não mostrou ainda o seu poder de transferência de votos", disse hoje à Lusa o analista político David Fleischer.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) destacou que nenhuma crise política afectou até agora a imagem de Lula da Silva, a quem chama "Presidente teflon", e lembrou os resultados de uma sondagem de opinião divulgada no final do ano passado.

Mais de 30 por cento dos eleitores brasileiros disseram, na altura, que votariam num candidato indicado pelo Presidente Lula.

"Em princípio, Lula teria o poder de transferência de votos, mas isso só vai ser testado em 2010 ", assinalou Fleischer.

Questionado sobre a possibilidade da candidatura à Presidência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, o professor de Ciências Políticas da UnB disse que ela está a ser usada por Lula da Silva apenas como um "pára-raios".

"Lula da Silva está a resguardar-se para saber quem vai apoiar, e Dilma preenche esta lacuna", opinou.

A crise dos chamados cartões corporativos, distribuídos a altos funcionários do poder executivo para pagar despesas durante eventos e viagens oficiais, já provocou a queda a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, em Fevereiro último.

Nos últimos dias, a temperatura da crise aumentou com a divulgação de informações pelo Palácio do Planalto.

Dilma Rousseff pode ser chamada a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Cartões Corporativos para explicar como um suposto dossier montado pelo Palácio do Planalto com informações sigilosas sobre gastos do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) teria transpirado para a imprensa local.

Na avaliação de Fleischer, não é esta crise que vai matar a candidatura de Dilma Rousseff, como pensam alguns analistas.

"Na verdade, a candidatura dela nunca nasceu. O PT nunca procurou montar um candidato alternativo a Lula e não tem nenhum nome viável", afirmou.

"O apoio do Presidente Lula pode ir para Ciro Gomes ou, num cenário mais difícil de vislumbrar hoje em dia, para uma lista liderada por Aécio Neves com Ciro Gomes como vice", acrescentou.

A substituição de Serra por Aécio, neto de Tancredo Neves, poderá ser uma estratégia pragmática do PSDB para manter a administração do Estado mais rico do país, com uma eventual recandidatura do actual governador paulista.


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