Lula da Silva diz que Fidel "é o único mito vivo" da Humanidade

Brasília, 19 Fev (Lusa) - O Presidente do Brasil, Lula da Silva, disse hoje já esperar a renúncia do líder cubano Fidel Castro, mas que a decisão não lhe retira o carácter de "mito".

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"O grande mito continua. Fidel é o único mito vivo da história da humanidade. Ele construiu isso à custa de muita competência, muito carácter, muita força de vontade e também de muita polémica", afirmou o Presidente brasileiro, durante uma visita ao Estado de Espírito Santo.

Lula da Silva manifestou-se satisfeito pelo facto de a decisão ter sido tomada pelo próprio Fidel Castro, descartando, assim, a possibilidade de eventuais conflitos no futuro.

"Que seja assim um processo muito tranquilo. O que nós temíamos era que, numa situação adversa, isso acontecesse num sistema turbulento em que os cubanos de Miami tentassem achar que já era dia de voltar para Cuba e transformar o país num território de conflito", assinalou.

O Presidente brasileiro declarou ainda ter "um profundo respeito pelo povo cubano", que considera "o mais politizado do mundo", e disse que Raul Castro, irmão de Fidel que o substituiu no poder, "está preparado".

Por seu turno, o ministro brasileiro da Justiça, Tarso Genro, considerou a saída definitiva de Fidel Castro do cargo de Presidente como um "sinal verde" para a rediscussão do processo de renovação no país.

"Foi uma decisão madura. Não só porque as suas condições de saúde apontam para a necessidade da sua retirada, mas também porque tudo indica que está em curso em Cuba um processo de renovação política e institucional. Obviamente, a sua retirada é um sinal verde para a continuidade desse debate", salientou Genro.

O ministro destacou ainda a importância de ser respeitado o princípio da não-interferência em Cuba.

"Qualquer interferência externa arbitrária, intolerante num processo como o cubano, efectivamente, não ajuda", concluiu.

Fidel Castro, que desde Julho de 2006 estava afastado do comando do país por problemas de saúde, renunciou à Presidência de Cuba após 49 anos no poder, de acordo com a mensagem hoje publicada no jornal estatal Granma.

A renúncia de Fidel Castro ocorre cinco dias antes de o parlamento cubano definir a nova chefia do governo.


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