Lula da Silva diz que morte de Saddam não resolve crise do país
O Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva condenou a execução do ex-Presidente iraquiano e disse que a sua morte não resolve o problema do Iraque.
Saddam Hussein foi enforcado na madrugada de hoje pelo massacre de 148 aldeões xiitas de Dujail, a norte de Bagdad, em 1982, quando governava o país co m mão-de-ferro.
"Não sei se foi um julgamento ou uma vingança. De qualquer forma, acho que não resolve o problema do Iraque. Eu acho que a violência vai continuar", af irmou Lula da Silva aos jornalistas em Brasília, durante a abertura de uma expos ição de fotos da campanha eleitoral.
Na opinião do presidente brasileiro, o Iraque só terá seus problemas re solvidos quando seu próprio povo tomar as decisões, sejam certas ou erradas.
"Enquanto houver gente de fora dando palpites quanto ao problema do Ira que, não vai dar certo. Não daria certo no Brasil, na Argentina, na Rússia e mui to menos nos Estados Unidos. Os que estão ocupando hoje o Iraque têm que ter con sciência de que o país só vai encontrar a paz quando permitirem que as divergênc ias internas sejam resolvidas por eles mesmos", assinalou.
Na sexta-feira o governo brasileiro já se havia manifestado, em comunic ado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, contra a decisão da Corte Suprema de Apelação do Iraque que confirmou, no último dia 26, a condenação à m orte do ex-Presidente Saddam Hussein.
"Por princípio, o Brasil é contrário à pena de morte, vedada pela Const ituição Federal. (...) Ademais, não crê que a execução da sentença venha a contr ibuir para a pacificação do Iraque", afirmou o Itamaraty na nota oficial.
O governo de Brasília reconhece que o regime imposto pelo ex-Presidente Saddam Hussein foi "marcado por seguidos actos de violência contra a população de seu país e por brutal cerceamento das liberdades".
No entanto, o Itamaraty lembrou que a deposição de Saddam Hussein, em 2 003, não decorreu de acção autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU e que a razão então alegada para a invasão do Iraque - a existência de armas de destruiç ão em massa - nunca foi comprovada.