Lula defende reciprocidade face aos EUA para mostrar que Brasil "não é pouca coisa"
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou hoje que quer «manter uma boa relação com os Estados Unidos», mas que o Brasil iniciou os processos da Lei da Reciprocidade para mostrar que «não é pouca coisa".
"O que eu tenho? A verdade (...). Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os EUA pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras", afirmou em entrevista ao podcast `Não Inviabilize`.
A declaração de Lula surge um dia após o Palácio do Planalto notificar Washington sobre o início do processo de consulta para aplicar a Lei da Reciprocidade pelas sobretaxas norte-americanas a produtos brasileiros.
As etapas da Lei da Reciprocidade, com consulta a setores afetados, diplomacia e outras formalidades, devem durar até três meses, avaliam fontes do Governo brasileiro ouvidas pela Lusa.
Na prática, este prazo empurra uma eventual decisão de Lula da Silva para depois das eleições gerais de outubro.
Após os três meses de consulta, o Governo brasileiro avaliará se aplica ou não reciprocidade, e a que áreas ou setores da economia norte-americana.
O cuidado do Palácio do Planalto é justificado pelo facto de que responder com sanções e sobretaxas equivalentes de 37,5%, por exemplo, podem prejudicar vários setores da economia brasileira, que dependem de importações de bens intermédios e produtos norte-americanos.
Ainda assim, diante do agravamento da tensão diplomática provocada pelas medidas de Donald Trump, o Governo brasileiro pode adotar medidas urgentes de reciprocidade caso Washington anuncie novas medidas contra Brasília, segundo fontes oficiais ouvidas pela Lusa.
Até então, para tentar reverter a situação, o Palácio do Planalto e a diplomacia brasileira apostam e insistem em manter um processo negocial com os Estados Unidos.
Ainda hoje, na entrevista ao podcast brasileiro, Lula da Silva frisou que quer ter uma conversa direta com Trump, uma vez que os dois se tratam "de forma muito respeitosa".
Lula reiterou que pedirá ao líder norte-americano para que não interfira no processo eleitoral brasileiro e dirá que os dois devem preservar uma relação institucional, uma vez que representam as duas maiores democracias do Ocidente.