Lula revoga decreto sobre hidrovias em rios amazónicos após fortes protestos indígenas

Lula revoga decreto sobre hidrovias em rios amazónicos após fortes protestos indígenas

O Governo brasileiro decidiu revogar um projeto que  previa implantação de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins após mais de 30 dias de ocupação de indígenas no porto da Cargill, na cidade amazónica de Santarém.

Lusa /

A decisão foi anunciada pelos ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos,  e pela ministra dos Povos Indígenas, e Sônia Guajajara, após reunirem-se com as lideranças do movimento hoje em Brasília.

"Houve uma mobilização legítima e justa dos povos indígenas em relação a esse decreto, e o Governo do presidente Lula tem a capacidade de escuta. Governo do Presidente Lula ouve a sociedade", afirmou Guilherme Boulos.

Por outro lado, a ministra Sônia Guajajara destacou o facto de os indígenas terem estado "33 dias na ocupação com mulheres, crianças e que seguem lá acampadas com condições precárias".

"Então, foi muito importante a gente também considerar essa questão humanitária que se encontra o movimento neste momento", disse.

Um grupo de indígenas ocupou na madrugada de sábado os escritórios da multinacional agrícola Cargill no porto da cidade de Santarém, na Amazónia brasileira, para protestar contra a dragagem dos rios da região.

A ação é precedida por uma série de manifestações que, desde 22 de Janeiro, bloquearam o acesso a um cais da Cargill em Santarém, uma importante cidade fluvial no estado do Pará, e que também se repetiram na sede da empresa em São Paulo.

As comunidades tradicionais opõem-se ao projeto, agora cancelado, do Governo brasileiro que pretende facilitar o transporte fluvial de grãos nos rios amazónicos, entre eles o Tapajós, através de obras de dragagem.

A Cargill tem sido alvo de críticas no passado por contribuir para a expansão do cultivo de soja em áreas de floresta na Amazónia, embora há alguns anos se tenha comprometido a deixar de comprar produção de propriedades que tenham desflorestado após 2008.

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