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Macron exprime "vergonha" após tumultos e apela ao diálogo responsável a seis meses das eleições

Macron exprime "vergonha" após tumultos e apela ao diálogo responsável a seis meses das eleições

O presidente francês dirigiu-se este domingo ao país depois da onda de violência que assolou várias cidades daquele país, com vandalismo e pilhagens.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Quentin de Groeve/Hans Lucas via AFP

“Todos sentimos raiva e vergonha de ver as nossas ruas atacadas”, afirmou Emmanuel Macron, vincando a solidariedade com os feridos e as suas famílias, assim como os “presidentes de Câmaras Municipais afetadas, comerciantes e atores económicos que sofreram consequências da violência” que se fez sentir, sobretudo no último sábado. 

O presidente francês garantiu que os comerciantes “não vão ser deixados sozinhos” e garantiu que o Governo irá começar a trabalhar desde logo para minimizar os impactos.  Segundo o Ministério francês do Interior, a onda de violência em França no último sábado levou a 2.397 interpelações pelas forças policiais. Há quase mil polícias ou militares feridos, sete dos quais em estado grave.

“Os que destruíram têm de pagar, os que pilharam têm de reembolsar, aqueles que tentaram destruir a República vão ter de responder”, assinalou, prometendo uma “ação judicial apropriada”. 

Emmanuel Macron pediu ainda ao Governo, e em particular ao ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, que "extraia todas as lições necessárias" dos acontecimentos de sábado "em termos de inteligência e preparação". "Espero respostas claras e haverá total transparência", prometeu.
Atento às "reivindicações legítimas"

Ao mesmo tempo, o chefe de Estado francês apela a que se olhe “lucidamente” para estes protestos e que não se confunda a onda de violência com os “compatriotas” que se manifestaram “com reivindicações legítimas” sobre o aumento do custo de vida. 

“Percebo a sua inquietação”, afirmou Emmanuel Macron, dirigindo-se aqui em particular aos jovens estudantes do ensino secundário e ensino superior que se têm manifestado. “As suas expectativas devem ser escutadas”, ao mesmo tempo que se deve “garantir firmemente a ordem pública”. 

Por outro lado, o presidente francês exigiu aos vários atores da sociedade francesa, incluindo partidos políticos e organizações sindicais, para que “condenem toda a violência e apelem à calma”. 

“Ninguém pode fugir às suas responsabilidades. O país precisa de ordem e apaziguamento, não de uma escalada de violência”, vincou. 

Emmanuel Macron lembrou ainda que o país está a menos de seis meses das eleições presidenciais de 2027. Apelou a debates “nos jornais, nas televisões e em reuniões pacíficas”, mas nunca rua através da “desordem e vandalismo”. 

“França é uma grande força democrática. (…) O nosso país merece boas eleições presidenciais”, apontou o atual presidente em fim de mandato.
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