Macron fala de discussão "muito construtiva" com Trump sobre Ormuz e Ucrânia
O Presidente da França, Emmanuel Macron, disse que teve uma conversa "muito construtiva" com o líder dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sobre a situação em Ormuz e a guerra na Ucrânia.
Os dois líderes discutiram como "garantir melhor a segurança" das instalações petrolíferas no mar Vermelho e "a necessidade de ajudar ainda mais rápida e fortemente os nossos amigos ucranianos em termos de mísseis intercetores", declarou Macron aos jornalistas.
"Tivemos uma discussão muito boa. Foi muito construtiva, houve uma grande abertura e pudemos entrar em pormenores sobre estes dois conflitos que, obviamente, são importantes para a paz mundial e para a nossa segurança, e que têm um impacto direto no poder de compra dos franceses", continuou o chefe de Estado.
Macron e Trump encontraram-se na segunda-feira, em Nova Iorque, à margem da sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, numa conversa que durou cerca de meia hora.
Antes do encontro, Macron tinha prometido falar "com total franqueza" a Trump para tentar "orientá-lo para as decisões certas", sobretudo no que diz respeito à Ucrânia, segundo a sua equipa.
O objetivo do lado francês era, sobretudo, tentar convencer o homólogo norte-americano a "manter o esforço de apoio à Ucrânia" e a "reforçar a pressão sobre a Rússia".
Emmanuel Macron tinha ainda dito, em entrevista à emissora Saint-Pierre-et-Miquelon La Première, que pretendia também trabalhar para "flexibilizar as relações tarifárias" com os EUA.
No domingo, em Saint-Pierre-et-Miquelon, um território francês junto à costa da Terra Nova (no leste do Canadá), onde os dois países estão separados por apenas alguns quilómetros, Macron tinha-se reunido com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Macron demonstrou apoio a uma proposta, criticada por Trump, para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia (UE).
O Presidente francês afirmou querer construir uma "solução de paz" para o Estreito de Ormuz, que considerou como a chave para que os mercados de combustíveis "se acalmem".
Quanto à Ucrânia, os europeus pedem aos Estados Unidos que se mantenham plenamente empenhados na resolução do conflito, com a participação norte-americana nas negociações ao lado deles e de Kiev.
A Europa exige também garantias de segurança --- isto é, um compromisso suficientemente sólido dos EUA para dissuadir um novo ataque russo após um eventual cessar-fogo.
Os emissários de Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, visitaram Kiev pela primeira vez este mês para retomar a mediação norte-americana neste conflito, o mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Anteriormente, tinham viajado por diversas vezes para a Rússia, país que, desde o verão, intensificou os ataques aéreos contra a Ucrânia e, em particular, contra a capital, Kiev.
No entanto, várias rondas de negociações tripartidas não resultaram, no passado, em avanços concretos.