Maduro deve responder por crimes contra a Humanidade

A missão internacional independente da Venezuela, do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, afirmou hoje que o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, também deve responder por crimes contra a Humanidade.

Lusa /

Em comunicado, esta missão internacional considerou que a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que levou à captura de Nicolás Maduro, é ilegal e viola o direito internacional, mas não atenua a responsabilidade do chefe de Estado venezuelano "por anos de repressão e violência que constituem crimes contra a Humanidade".

"O povo venezuelano exige e merece soluções plenamente conformes com o direito internacional", acrescentou aquela missão internacional independente, que é chefiada pela jurista portuguesa Marta Valiñas.

Esta missão independente da Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou ainda "profunda preocupação pela possibilidade de ocorrem novas e graves violações dos direitos humanos nos próximos dias e semanas, neste contexto de aumento de instabilidade" na Venezuela.

A missão internacional foi criada em 2019 no seio do Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar violações das liberdades fundamentais na Venezuela desde 2014.

Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, foram hoje detidos na residência presidencial em Caracas, no âmbito de uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela.

O Governo venezuelano denunciou a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que irá governar o país até se concluir uma transição de poder.

Trump admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.

O Presidente venezuelano foi transportado para Nova Iorque, onde deverá comparecer, nos próximos dias, num tribunal federal para responder a acusações de narcoterrorismo, segundo as agências internacionais.

A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda de Maduro e o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou "profunda preocupação" com a recente "escalada de tensão na Venezuela", alertando que a ação militar dos Estados Unidos poderá ter "implicações preocupantes" para a região.

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