Maduro elimina nome de colonizadores dos espaços públicos
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mandou retirar os nomes de colonizadores, conquistadores e genocidas dos espaços públicos e substituí-los pelos nomes de líderes indígenas, como parte de um processo que definiu como "descolonização" dos espaços públicos venezuelanos.
O processo de "descolonização" começa com a autoestrada Francisco Fajardo, a mais importante de Caracas, que atravessa a capital de leste a oeste, e que passa a chamar-se autoestrada "Gran Cacique Guaicaipuro chefe de chefes".
"Decidi iniciar de maneira gradual, progressiva, organizada e disciplinada, um processo para descolonizar e reivindicar todos os espaços públicos que têm nomes de colonizadores, de conquistadores e de genocidas", disse à televisão estatal venezuelana, durante um ato que assinalou, localmente, o Dia da Resistência Indígena.
Nicolás Maduro explicou que "essa autoestrada foi batizada com o nome do colonizador genocida Francisco Fajardo".
"É uma ignomínia, uma ofensa para os nossos povos. É como se em algum país da Europa pusessem a uma autoestrada o nome (Adolfo) Hitler", disse.
Através da televisão estatal, Nicolás Maduro disse que ordenou a vários dos seus ministros, entre eles o da Educação, Aristóbulo Istúriz, dos Povos Indígenas, Yamilet Mirabal Calderón, e de Cultura, Ernesto Villegas, decorar a autoestrada com as figuras dos líderes indígenas Guaicaipuro, de Tiuna, de Terepaima, de Chacao, de Caricuao.
"Em obras de arte, pinturas, desde Petare a Caricuao, para que algo mude, que não seja apenas o nome. Que a cor, o espírito dos povos indígenas, encham essa autoestrada e assim começaremos a descolonizar todos os espaços territoriais, físicos, do nosso país", disse.
Nicolás Maduro frisou ainda que algum dia o Rei de Espanha, terá de pedir perdão pelos massacres, roubos de terra e costumes, cometidos na América Latina.
"Ao rei Felipe VI. Faço-lhe um apelo a que faça uma retificação histórica e peça perdão aos homens e mulheres dos povos originários que foram arrasados pelo império espanhol", disse.
Nicolás Maduro frisou ainda que a Venezuela está perante uma grande mudança cultural, "para o reconhecimento e resgate dos povos originários", uma mudança que "abrangerá toda a América e as Caraíbas".
Segundo a "História da Conquista e População da Província da Venezuela", o Cacique Guaicaipuro nasceu na região indígena de Los Teques (sul de Caracas, Estado de Miranda) em 1530 e faleceu em combate, no ano de 1568.
Foi um guerreiro que liderou várias tribos caribenhas na luta pelo controle das minas de ouro, sendo conhecido como "Guapotori", que significa "chefe de chefes".
Pelo seu nome são chamadas várias praças e ruas do centro da Venezuela, em particular no Estado de Miranda, onde existe o Município Guaicaipuro.
Francisco Fajardo nasceu na ilha venezuelana de Margarita (nordeste) em 1528 e faleceu em Cumaná (nordeste) em 1564. Foi um mestiço, colonizador da zona centro-norte da Venezuela, onde fundou várias povoações, entre elas a Vila de El Collado, também conhecida como Caraballeda, onde descobriu umas minas de ouro.
Foi preso, enforcado e esquartejado, porque um mestiço não poderia gerir as riquezas do país.