Mundo
Mãe de Osama bin Laden considera que filho teve "lavagem de cérebro"
Alia Ghanem concede pela primeira vez uma entrevista, em que fala da infância e radicalização do líder da Al Qaeda. Em declarações em exclusivo ao jornal inglês The Guardian, a mãe de Osama bin Laden diz que o filho era “uma criança muito boa” que durante o curso de Economia na Universidade King Abdulaziz conheceu um membro da Irmandade Muçulmana que se tornou no seu conselheiro espiritual.
“Ele era uma criança muito boa até ter conhecido algumas pessoas que lhe fizeram uma lavagem ao cérebro quando tinha cerca de 20 anos. Pode-lhe chamar de seita. Conseguiram dinheiro para a causa. Eu sempre lhe dizia para ficar longe deles e a mim ele nunca iria admitir que estava a fazer, porque me amava muito”, explica Alia Ghanem.
“As pessoas na universidade mudaram-no”, acrescenta a matriarca dos bin Laden. Entre os responsáveis pela radicalização do filho nomeia Abdullah Azzam, membro da Irmandade Muçulmana, mais tarde exilado da Arábia Saudita e conselheiro espiritual de Osama.
“Ele tornou-se num homem diferente”, recorda Alia, em declaraçãoes ao diário britânico The Guardian.
“As pessoas na universidade mudaram-no”, acrescenta a matriarca dos bin Laden. Entre os responsáveis pela radicalização do filho nomeia Abdullah Azzam, membro da Irmandade Muçulmana, mais tarde exilado da Arábia Saudita e conselheiro espiritual de Osama.
“Ele tornou-se num homem diferente”, recorda Alia, em declaraçãoes ao diário britânico The Guardian.
Na década de 80, Osama bin Laden foi para o Afeganistão combater a ocupação russa. “Toda a gente que o conhecia nos primeiros tempos o respeitava”, acrescenta um dos meios-irmãos de bin Laden.
“No início, estávamos todos muito orgulhosos dele. Até o governo saudita o tratava de uma forma muito nobre e respeitosa. E depois, regressou Osama, o mujahid”, admite.
Os elementos da família bin Laden encontraram Osama pela última vez no Afeganistão em 1999, quando o visitaram duas vezes num acampamento nos arredores de Kandahar. “Foi num lugar perto do aeroporto que conquistaram aos russos”, recorda a mãe. “Ele estava muito feliz por nos receber. Acompanhou-nos sempre que estivemos lá. Matou um animal e fizemos um banquete, para o qual convidou toda a gente”, evoca.
“Gastou todo o dinheiro no Afeganistão”
Falar sobre a passagem de Osama bin Laden para o jihadismo ainda causa incómodo na família. “Tenho muito orgulho dele no sentido em que era o meu irmão mais velho”, continua. “Ensinou-me muito, mas não penso que tenha orgulho nele como homem. Ele atingiu o estrelato no palco mundial mas foi para nada”, reflete, sob o olhar atento da mãe.
“Gastou todo o dinheiro no Afeganistão”
Falar sobre a passagem de Osama bin Laden para o jihadismo ainda causa incómodo na família. “Tenho muito orgulho dele no sentido em que era o meu irmão mais velho”, continua. “Ensinou-me muito, mas não penso que tenha orgulho nele como homem. Ele atingiu o estrelato no palco mundial mas foi para nada”, reflete, sob o olhar atento da mãe.
Com mais de 70 anos, Alia Ghanem recorda que o filho mais velho era “um homem muito reto. Muito bom aluno na escola. Realmente gostava de estudar. Gastou todo o dinheiro no Afeganistão”.
Oriundo de uma das mais importantes famílias da Arábia Saudita, a radicalização de Osama bin Laden surpreendeu mesmo aqueles que o conheciam bem. “Ficámos muito perturbados. Não queria que nada disto tivesse acontecido. Porque haveria ele de desperdiçar tudo daquela maneira?”, questiona a mãe.
A matriarca “continua em negação sobre Osama”, explica Ahmad, outro meio-irmão de bin Laden. “Ela amava-o tanto que recusa culpá-lo. Em vez disso, culpa os que estavam à volta dele. Ela apenas conhecia o lado bom, o lado que nós víamos. Ela nunca conheceu a faceta jihadista”, afirma.
As notícias dos atentados às Torres Gémeas em Nova Iorque a 11 de Setembro de 2001 provocaram um “sentimento muito estranho. Sabíamos desde o início (que tinha sido Osama), dentro das primeiras 48 horas. Do mais novo ao mais velho ficamos com vergonha dele. Sabíamos que iriamos enfrentar terríveis consequências. Toda a nossa família que estava fora regressou a Arábia Saudita”, continua Ahmed.
Os elementos da família, que viviam na Síria, Líbano, Egito e Europa, foram interrogados e proibidos de deixar a Arábia Saudita. Apenas agora, começam a ter mais liberdade para se deslocarem.
Oriundo de uma das mais importantes famílias da Arábia Saudita, a radicalização de Osama bin Laden surpreendeu mesmo aqueles que o conheciam bem. “Ficámos muito perturbados. Não queria que nada disto tivesse acontecido. Porque haveria ele de desperdiçar tudo daquela maneira?”, questiona a mãe.
A matriarca “continua em negação sobre Osama”, explica Ahmad, outro meio-irmão de bin Laden. “Ela amava-o tanto que recusa culpá-lo. Em vez disso, culpa os que estavam à volta dele. Ela apenas conhecia o lado bom, o lado que nós víamos. Ela nunca conheceu a faceta jihadista”, afirma.
As notícias dos atentados às Torres Gémeas em Nova Iorque a 11 de Setembro de 2001 provocaram um “sentimento muito estranho. Sabíamos desde o início (que tinha sido Osama), dentro das primeiras 48 horas. Do mais novo ao mais velho ficamos com vergonha dele. Sabíamos que iriamos enfrentar terríveis consequências. Toda a nossa família que estava fora regressou a Arábia Saudita”, continua Ahmed.
Os elementos da família, que viviam na Síria, Líbano, Egito e Europa, foram interrogados e proibidos de deixar a Arábia Saudita. Apenas agora, começam a ter mais liberdade para se deslocarem.
Vida familiar
Alia Ghanem vive na Arábia Saudita desde a década de 1950. Osama bin Laden nasceu em Riade em 1957 e a mãe divorciou-se do pai três anos mais tarde. Osama foi criado pelo segundo marido de Alia, Mohammed Al-Attas com quem teve mais três filhos. O pai de bin Laden teve 54 filhos de 11 mulheres.
São os moradores mais conhecidos daquele bairro de mansões em Jedá, cidade na costa do Mar Vermelho, onde vivem há gerações. Continuam a ser uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita, cujos negócios se centram na área da construção civil.
Osama bin Laden viveu em Jedá antes da Revolução Iraniana de 1979, que resultou no fortalecimento da interpretação mais rígida do Islão sunita. Após a radicalização, tornou-se líder da Al Qaeda, grupo terrorista que fez despenhar dois aviões contra as Torres Gémeas, em Nova Iorque, e outro contra o Pentágono, em Washington. Morreram 2.976 pessoas e mais de 6.000 ficaram feridas.
Osama bin Laden foi capturado e abatido por soldados norte-americanos, numa casa em Abbottabad, no Paquistão.
Proscrito na Arábia Saudita
Esta foi a primeira vez que a mãe e dois meios-irmãos de bin Laden aceitaram falar à imprensa. A entrevista ao Guardian teve a mediação do Governo saudita, liderado pelo príncipe Mohammed bin Salman.
De acordo com o jornal, a nova liderança da Arábia Saudita está apostada em provar que bin Laden era um proscrito, em vez de um agente saudita. “Há dois Osama bin Laden. Um antes do fim da ocupação soviética do Afeganistão e outro depois dela. Antes, ele era um mujahid muito idealista. Não era um combatente. Chegou a admitir que desmaiou durante uma batalha e que, quando acordou, o ataque soviético à sua posição tinha sido derrotado”, conta ao mesmo jornal o antigo líder dos serviços secretos Turki al-Faisal.
As relações entre a Arábia Saudita e bin Laden estiveram sob escrutínio. Ainda hoje, os familiares das vítimas dos atentados de 11de Setembro acreditam que a Arábia Saudita terá apoiado Bin Laden.
“Terrorista global”
O terrorismo pode vir a ensombrar novamente a família bin Laden. O filho mais novo de Osama, Hamza bin Laden, de 29 anos, provavelmente a viver no Afeganistão, foi considerado “terrorista global” pelos Estados Unidos no ano passado.
“Pensávamos que tínhamos ultrapassado isto”, diz um dos tios, que contou ter ouvido o sobrinho prometer retaliar pela morte do pai. “Preparem-se para novas diligências para inflingir perdas devastadoras aos que não crêem”, disse em mensagem gravada Hamza bin Laden dois dias antes dos atentados de 17 de maio de 2017, em Manchester.
Alia Ghanem vive na Arábia Saudita desde a década de 1950. Osama bin Laden nasceu em Riade em 1957 e a mãe divorciou-se do pai três anos mais tarde. Osama foi criado pelo segundo marido de Alia, Mohammed Al-Attas com quem teve mais três filhos. O pai de bin Laden teve 54 filhos de 11 mulheres.
São os moradores mais conhecidos daquele bairro de mansões em Jedá, cidade na costa do Mar Vermelho, onde vivem há gerações. Continuam a ser uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita, cujos negócios se centram na área da construção civil.
Osama bin Laden viveu em Jedá antes da Revolução Iraniana de 1979, que resultou no fortalecimento da interpretação mais rígida do Islão sunita. Após a radicalização, tornou-se líder da Al Qaeda, grupo terrorista que fez despenhar dois aviões contra as Torres Gémeas, em Nova Iorque, e outro contra o Pentágono, em Washington. Morreram 2.976 pessoas e mais de 6.000 ficaram feridas.
Osama bin Laden foi capturado e abatido por soldados norte-americanos, numa casa em Abbottabad, no Paquistão.
Proscrito na Arábia Saudita
Esta foi a primeira vez que a mãe e dois meios-irmãos de bin Laden aceitaram falar à imprensa. A entrevista ao Guardian teve a mediação do Governo saudita, liderado pelo príncipe Mohammed bin Salman.
De acordo com o jornal, a nova liderança da Arábia Saudita está apostada em provar que bin Laden era um proscrito, em vez de um agente saudita. “Há dois Osama bin Laden. Um antes do fim da ocupação soviética do Afeganistão e outro depois dela. Antes, ele era um mujahid muito idealista. Não era um combatente. Chegou a admitir que desmaiou durante uma batalha e que, quando acordou, o ataque soviético à sua posição tinha sido derrotado”, conta ao mesmo jornal o antigo líder dos serviços secretos Turki al-Faisal.
As relações entre a Arábia Saudita e bin Laden estiveram sob escrutínio. Ainda hoje, os familiares das vítimas dos atentados de 11de Setembro acreditam que a Arábia Saudita terá apoiado Bin Laden.
“Terrorista global”
O terrorismo pode vir a ensombrar novamente a família bin Laden. O filho mais novo de Osama, Hamza bin Laden, de 29 anos, provavelmente a viver no Afeganistão, foi considerado “terrorista global” pelos Estados Unidos no ano passado.
“Pensávamos que tínhamos ultrapassado isto”, diz um dos tios, que contou ter ouvido o sobrinho prometer retaliar pela morte do pai. “Preparem-se para novas diligências para inflingir perdas devastadoras aos que não crêem”, disse em mensagem gravada Hamza bin Laden dois dias antes dos atentados de 17 de maio de 2017, em Manchester.