Mãe de Zacarias Moussaoui teme pena de morte ou prisão perpétua

A mãe do franco- marroquino Zacarias Moussaoui, que admitiu cumplicidade nos atentados de 11 de Setembro de 2001 e cujo julgamento começou hoje em Alexandria, Virgínia, teme a pena de morte ou prisão perpétua para o filho.

Agência LUSA /

"É o acusado ideal, por ser árabe, pobre e instruído", declarou Aicha al-Wafi, 59 anos, mãe de quatro filhos e residente em Narbona, sul da França, afirmando recear a "pena de morte", ou a "prisão perpétua".

"Tem de pedir perdão e quero que seja condenado pelo que fez, mas exijo justiça, não apenas um julgamento exemplar para punir o único suspeito disponível", disse ao jornal Le Parisien.

Moussaoui, 37 anos, foi detido por irregularidades no visto em Agosto de 2001, um mês antes dos atentados saldados em cerca de 3.000 mortos nos Estados Unidos.

A Procuradoria-Geral norte-americana pede para ele o castigo máximo, considerando-o o 20/o terrorista do 11 de Setembro de 2001.

O suspeito sempre negou envolvimento directo na operação suicida, mas admitiu cumplicidade com os piratas do ar.

Convencida de que Moussaoui sofreu uma "lavagem ao cérebro" durante a detenção, por "confessar o que não fez", a mãe do presumível terrorista, esperada no tribunal a partir de 06 de Março, revelou: "O meu filho recusa-se a falar com os advogados de defesa por achar que não vale a pena. O Procurador-Geral norte-americano quer um culpado".

"Cada vez que pediu para arrolar testemunhas da sua inocência, foram-lhe recusadas em nome do segredo de Estado", acrescentou.

Aicha al-Wafi não ignora, porém, quem é o filho: "É um extremista e tem de ser julgado por isso, não por coisas que não fez.

Não participou nos atentados de 11 de Setembro".

Sem ver Moussaoui desde 2003, desabafou: "Ele permanece em isolamento há já quatro anos e meio, sob grande pressão psicológica para se declarar culpado e ninguém fez nada, nem o pai, ou o irmão - a escrever um livro sobre o caso -, nem os islamitas, que o abandonaram".

A mãe do presumível terrorista também apontou o dedo a Paris pelo "pouco que fez" para lograr o repatriamento de Moussaoui, nascido no País Basco francês e convertido ao extremismo em Londres.

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