Magistrados chilenos pedem perdão às vítimas da ditadura de Pinochet
Santiago do Chile, 05 set (Lusa) - A associação de magistrados do Chile pediu perdão por ter falhado na proteção das vítimas da ditadura de Augusto Pinochet que causou mais de 3.000 mortos.
"Chegou a hora de pedir perdão às vítimas, aos seus familiares e à sociedade chilena", disseram na quarta-feira à noite os juízes numa declaração inédita, divulgada a poucos dias do 40.º aniversário do golpe de Estado que depôs o governo socialista de Salvador Allende e instalou no poder o general Pinochet, a 11 de setembro de 1973.
Entre 1973 e 1990, cerca de 3.200 pessoas foram mortas ou desapareceram, segundo as organizações de defesa dos direitos humanos.
"Devemos dizê-lo e reconhecê-lo clara e firmemente: o poder judicial - e, em particular, o Supremo Tribunal da altura - falhou no seu dever de garantia dos direitos fundamentais e de proteção das vítimas face aos abusos do Estado", prosseguiram os juízes.
Cerca de 5.000 pedidos de proteção para desaparecidos ou pessoas detidas ilegalmente foram rejeitados durante a ditadura pelos tribunais chilenos, que alegavam não ter informação sobre esses casos.