Maior distribuidora de eletricidade do Havai acusada de causar incêndios

por RTP
EPA

A Justiça do Havai, nos EUA, recebeu uma ação coletiva que acusa a maior distribuidora de eletricidade do arquipélago, a Hawaiian Electric, de ter causado os incêndios que mataram pelo menos 96 pessoas na ilha de Maui.

De acordo com a imprensa local, o processo foi apresentado por três escritórios de advogados que representam pessoas afetadas pelos incêndios de Lahaina, antiga capital do arquipélago e uma das zonas turísticas mais populares do Havai.

A ação argumenta que a Hawaiian Electric, que fornece eletricidade a 95% do estado, "indesculpavelmente deixou as suas linhas de energia operacional durante as condições previstas de alto risco de incêndio".

Muitos dos relatos de residentes no local parecem convergir no facto de as pessoas não terem alerta oficial do que estava a ocorrer e que pode ter comprometido a eficácia da resposta e até a morte de muitas pessoas. Na ausência de um alerta em larga escala, os moradores descreveram uma corrida frenética para escapar de um incêndio que parecia surgir do nada. Uma situação agravada pela rápida progressão das chamas.

"A destruição poderia ter sido evitada se os réus tivessem ouvido os avisos do Serviço Nacional de Meteorologia [norte-americano] e desligado a energia das suas linhas elétricas durante o evento de vento forte que era esperado" vários dias antes do início dos incêndios, afirma o processo.

A prática de desligar as linhas de energia por motivos de segurança pública é comum em partes do oeste dos Estados Unidos durante condições de alto risco de incêndio, já que estas linhas foram a causa de vários incêndios, especialmente na Califórnia.

Sistema de alarme não foi ativado

Quando os incêndios começaram na passada terça-feira e a ilha Maui ficou sem energia e telecomunicações, o sistema de alarme do Havai, o maior do mundo, não foi ativado, admitiram as autoridades.

A procuradora-geral do Havai, Anne López, anunciou no sábado que será feita uma "investigação exaustiva" sobre a resposta das autoridades à catástrofe.

A Hawaiian Electric disse no domingo, num comunicado, que restaurou o fornecimento de eletricidade a 60% dos clientes que estavam sem energia desde terça-feira e que tem cerca de 300 pessoas no terreno para repor a energia aos restantes clientes.

A empresa, que não se referiu ao processo judicial, indicou que houve danos extensos nas partes do sistema elétrico que distribui energia às comunidades e que o sistema "ainda está frágil", obrigando os trabalhadores a proceder com cuidado.

A Hawaiian Electric admitiu que poderia haver "apagões intermitentes" e pediu aos moradores de Maui que tentassem poupar eletricidade e limitar o seu uso.

Processo de identificação será demorado

O governador do Havai estimou as perdas materiais em cerca de seis mil milhões de dólares (cerca de 5,5 mil milhões de euros).

Dois dos três incêndios de Maui ainda estão ativos, segundo o último balanço feito no domingo pelo condado, que até agora apenas conseguiu verificar a identidade de duas das 96 vítimas confirmadas.

A polícia local sublinhou que o processo será moroso, uma vez que é necessária uma verificação genética ou dentária. "Quando encontramos nossa família e amigos, os restos que encontramos são de um incêndio que derreteu metal", disse o chefe de polícia John Pelletier. "É preciso fazer um teste rápido de DNA para identificá-los.

As entidades oficiais preveem que, à medida que as buscas prosseguem nas zonas devastadas, mais vítimas vão ser encontradas.

Estes incêndios são os mais mortíferos nos EUA em mais de 100 anos. "Aquele incêndio percorreu uma milha a cada minuto, resultando nesta tragédia", disse o governador do Havai Josh Green num comunicado no domingo. "Um furacão de fogo, algo novo para nós nesta era de aquecimento global, foi a razão última pela qual tantas pessoas pereceram."


c/Lusa

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