Maior incêndio em Espanha ainda ativo mas em estabilização
Bombeiros na região central de Espanha de Castela-La Mancha lutavam ainda na quarta-feira para controlar um incêndio florestal que já devastou mais de 32.000 hectares, um dos maiores de sempre no país.
O fogo em Guadalajara surgiu menos de duas semanas após um incêndio mortal ter devastado uma pequena comunidade de expatriados no sul de Espanha, causando 13 mortos, incluindo vários estrangeiros.
As populações de 34 aldeias foram retiradas das suas casas, sem registo de feridos graves ou vítimas mortais. Mais de 200 bombeiros, apoiados por meios terrestres e aéreos, estiveram no terreno.
Segundo as autoridades espanholas, o incêndio permanecia ativo, mas está já em fase de estabilização, com o Governo de Castela-La Mancha a levantar avisos de retirada das populações em cinco localidades da Serra Norte e a autorizar o regresso de residentes afetados pelos fogos de Selas (Guadalajara) e Barcones (Soria).
Segundo dados oficiais, Espanha já registou este ano 22 grandes incêndios --- definidos como fogos que consomem mais de 500 hectares. Mais de 100.000 hectares foram queimados apenas no primeiro semestre, igualando a média anual da última década.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou na quarta-feira a área atingida em Guadalajara e apelou a um pacto entre partidos para enfrentar as alterações climáticas.
"Ano após ano vemos claramente como as alterações climáticas matam e destroem riqueza nas nossas comunidades", afirmou Sánchez. "Isto não é política. É ciência, são factos", acrescentou.
A ministra para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, descreveu o incêndio de Guadalajara como "um dos maiores da história recente do país" e o maior de sempre na região de Castela-La Mancha.
De acordo com o ministério, citado pela agência EFE, este é o segundo maior incêndio registado em Espanha, depois dos 37.000 hectares ardidos no noroeste do país em 2025.
As autoridades regionais afirmaram que os bombeiros, apoiados por aviões de combate a incêndios, conseguiram proteger habitações em todas as 40 aldeias da área afetada, 90% da qual pertence a um parque nacional. O presidente regional, Emiliano García-Page, disse esperar que o fogo, ativo há quase uma semana, esteja controlado até sexta-feira.
O autarca de Zarzuela de Jadraque, Miguel Ángel Moreno, relatou que os 100 habitantes foram retirados, tendo 14 dos quais sido acolhidos num centro da Cruz Vermelha.
"O esforço dos bombeiros merece tanta admiração como os jogadores que venceram o Mundial", afirmou à televisão pública TVE.
A agência meteorológica espanhola alertou para uma onda de calor que começou na terça-feira e deveria atingir o pico entre esta quarta e hoje, com temperaturas a rondar os 40 graus Celsius em várias zonas do interior e a ultrapassar os 42 graus na Andaluzia.
Grande parte do país está sob alerta de temperaturas extremas, que, combinadas com vento e escassa precipitação nos últimos meses, criam condições ideais para a propagação de fogos.
No contexto europeu, Espanha é atualmente o país com maior área ardida em termos absolutos, à frente de França, onde já foram consumidos quase 43 mil hectares. Em termos proporcionais, Portugal apresenta a maior percentagem de território afetado, com cerca de 0,3% da sua superfície ardida, face a 0,2% em Espanha.
A Europa é o continente que tem aquecido mais rapidamente, com temperaturas a subir ao dobro da média global desde os anos 1980, segundo o serviço Copernicus da União Europeia.
Globalmente, 2025 foi o terceiro ano mais quente de sempre, com ondas de calor severas em toda a Europa. Cientistas alertam que as alterações climáticas estão a intensificar a frequência e a gravidade da seca e do calor, sobretudo no sudeste europeu, aumentando a vulnerabilidade a incêndios e impactos na saúde.