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Maior ponte-cais do mundo elimina "constrangimentos históricos" em ilha de Maputo

Maior ponte-cais do mundo elimina "constrangimentos históricos" em ilha de Maputo

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, disse hoje que a nova ponte-cais da Ilha de Inhaca, Maputo, considerada a maior do género no mundo, elimina um "constrangimento histórico" naquela região, abrindo novas perspetivas de progresso económico local.

Lusa /

"Esta ponte elimina um constrangimento histórico. Durante anos, a maré baixa condicionou viagens, encareceu bens e dificultou a vida da população de Inhaca", disse o chefe de Estado moçambicano, durante a inauguração da infraestrutura, na ilha de Inhaca (ou KaNyaka), a alguns minutos da capital e onde residem mais de seis mil pessoas, administrativamente integradas na cidade de Maputo.

Trata-se de uma ponte-cais, cuja obra foi lançada em novembro de 2024, com quase um quilómetro de extensão, com um comprimento do acesso rodoviário e pedonal de cerca 353 metros e quatro escadas de acesso, num investimento global avaliado em cerca de 14,2 milhões de dólares (12,6 milhões de euros).

Daniel Chapo defendeu que nenhuma economia se transforma sem mobilidade e que não há mobilidade sem infraestruturas estratégicas, pelo que esta ponte-cais abre uma nova página na história daquela região.

"Com esta obra, os pescadores poderão escoar melhor o seu pescado, os comerciantes reduzirão os custos, os jovens encontrarão novas oportunidades com o turismo que vai crescer aqui em Inhaca e, como sabem, o turismo ganhará nova dinâmica e o turismo cria oportunidades para toda a gente", explicou.

Com a nova infraestrutura, o estadista moçambicano espera ainda o estímulo para a ampliação da rede viária, "garantindo uma mobilidade mais eficiente, segura e integrada", além dos mecanismos fiáveis de acessos a outras oportunidades que a ilha oferece.

"Entretanto, desenvolvimento não pode significar desordem. KaNyaka é um ecossistema frágil. A sustentabilidade da ilha é uma exigência moral para todos nós. Não queremos que a ponte promova um aumento descontrolado de veículos motorizados que possa comprometer o equilíbrio ambiental da ilha", disse Chapo.

O Presidente exigiu das autoridades locais a liderança para a prevenção e a preservação da ilha, impondo disciplina, civismo e organização, reiterando que a ponte deve servir exclusivamente para a mobilidade de pessoas e bens.

"Não podemos deitar caixas de banana enquanto estamos a caminhar para podermos embarcar, não podemos colocar lixo ao longo da ponte, a sua manutenção regular será fundamental para preservar este investimento público, que é investimento do povo moçambicano. Peões de veículos autorizados deverão observar rigorosamente as regras de trânsito estabelecidas", disse.

João Mantlombe, ministro dos Transportes e Logística, disse na ocasião que a nova infraestrutura é mais do que uma simples obra física, representa um "instrumento concreto de inclusão social, dignidade humana e integração territorial".

Acrescentou que com a nova ponte-cais, construída pela estatal chinesa China Road and Bridge Corporation, a ilha passa a estar mais próxima do continente do que antes, havendo por isso a necessidade de continuar a trabalhar com a população local para que a infraestrutura produza resultados concretos.

"Iremos trabalhar com as autoridades locais, o município, o distrito e outros parceiros, para que possamos continuar a avaliar a possibilidade de aumentar a frequência das ligações marítimas entre a ilha e o continente, passando no futuro a ver se conseguimos manter viagens diárias com frequências regulares através de duas embarcações e não uma apenas por dia, de forma a garantir maior autonomia da ilha, maior conexão da ilha e rápido desenvolvimento da nossa ilha", referiu.

Situada à entrada da baía de Maputo, sul de Moçambique, Inhaca é um dos principais pontos turísticos da província, mas a ligação entre a ilha e a cidade é deficitária, devido à reduzida oferta de transporte marítimo e condições de atracação.

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