Mais de 120 mortos e 180 desaparecidos no naufrágio do `ferry` na Coreia do Sul
Jindo, Coreia do Sul, 22 abr (Lusa) -- O número confirmado de mortos no naufrágio de um `ferry` ao largo da Coreia do Sul ultrapassou hoje os 120, enquanto os mergulhadores prosseguem as buscas para resgatar 180 desaparecidos, na maioria estudantes do ensino secundário.
Um mar calmo e melhores condições atmosféricas permitiram hoje acelerar as buscas, mas a visibilidade na água continua reduzida.
Os mergulhadores avançam às cegas no labirinto de corredores e cabines do `ferry` totalmente submerso.
"Continua a ser muito difícil para os mergulhadores que procuram cadáveres às apalpadelas em águas turvas", declarou um porta-voz da guarda costeira.
Segundo o mais recente balanço oficial, foi confirmada a morte de 121 pessoas e 1.818 continuam ainda desaparecidas.
O barco transportava 476 pessoas quando se virou e afundou na manhã de 16 de abril, ao largo da costa meridional da Coreia do Sul.
O Sewol, um `ferry` de quatro pontes que fazia o trajeto para a ilha turística de Jeju (sul), transportava 352 jovens do sul de Seul, em visita de estudo. O vice-reitor, pertencente ao grupo dos sobreviventes, suicidou-se na sexta-feira.
Os familiares dos desaparecidos - pais, na maior parte dos casos - concentram-se todas as manhãs no porto de Jindo, a ilha vizinha do local da catástrofe, e aguardam a chegada dos barcos de socorro, dos quais são desembarcados, a intervalos cada vez mais frequentes, os cadáveres recuperados.
Nos primeiros dias, as famílias dos desaparecidos, afetadas pela angústia e pela dor, declaravam-se frustradas com a lentidão das operações de socorro, não conseguindo os mergulhadores entrar no barco devido à violência das correntes.
Mas agora, a esperança de encontrar sobreviventes é praticamente nula e as famílias pressionam os mergulhadores no sentido de recuperar os corpos o mais rapidamente possível, antes que estes fiquem demasiado deteriorados.
"Só quero rever o meu filho, quero poder segurá-lo nos meus braços e dizer-lhe adeus. Não suporto a ideia de ele estar num lugar frio e escuro", comentou o pai de um estudante.
A tragédia do Sewol abalou profundamente a Coreia do Sul, um país orgulhoso dos progressos alcançados nas últimas décadas.
Arruinado após a guerra da Coreia (1950-1953), é atualmente um país rico, com um nível de vida elevado e `número um` mundial em vários setores económicos, beneficiando igualmente de um sistema democrático robusto, após 30 anos de ditadura.
Os sul-coreanos tiveram dificuldade em compreender que uma tragédia destas dimensões possa ter acontecido no seu país.
Os pais das vítimas, mas também a imprensa e a opinião pública expressam a sua incompreensão, a sua ira e a sua dor em violentas críticas dirigidas às autoridades em geral.
A três dias da chegada do Presidente norte-americano, Barack Obama, a Seul, um responsável norte-americano indicou que "uma grande parte desta visita" terá como objetivo manifestar o apoio dos Estados Unidos ao seu aliado sul-coreano "nesta hora de provação".