Mais de 230 milhões de mulheres sofreram de mutilação genital no mundo

Mais de 230 milhões de raparigas e mulheres em todo o mundo sofreram mutilações genitais, número que está a aumentar acentuadamente apesar dos progressos registados em alguns países.

Lusa /
A mutilação genital feminina continua a ser um flagelo gigante EPA

"São más notícias. Um número enorme, maior do que nunca", disse Claudia Coppa, principal autora de um relatório sobre a mutilação genital feminina (MGF) do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

O número de mulheres e raparigas que sobreviveram à ablação do clítoris, à excisão (remoção total ou parcial do clítoris e dos pequenos lábios) ou à infibulação (excisão e sutura do orifício vaginal para o estreitar) está agora estimado em mais de 230 milhões, mais 15% do que em 2016.

Estas mutilações são dolorosas, muitas vezes fatais, e têm também consequências psicológicas e físicas a longo prazo, como problemas de fertilidade, complicações durante o parto, nados-mortos e dores durante as relações sexuais.

África é o continente mais afetado, com mais de 144 milhões de sobreviventes de MGF, à frente da Ásia (80 milhões) e do Médio Oriente (seis milhões), indicou o relatório, centrado em 31 países onde a prática é comum.

Apesar do aumento global dos números, em grande parte ligado ao crescimento demográfico nestes países, o relatório destacou os progressos registados na redução desta prática, que viola direitos humanos fundamentais.

O progresso teria de ser 27 vezes mais rápido para conseguir erradicar esta prática até 2030, tal como estabelecido nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

A Unicef apelou para a adoção de leis que proíbam estas mutilações, mas também à educação e à emancipação das raparigas.

O relatório lembrou ainda o papel dos homens, referindo que as mulheres pensam geralmente que eles querem que a mutilação continue, mas para aquelas que têm uma irmã ou uma mãe que foi mutilada, isso está longe de ser o caso em todos os países.

"Mas eles permanecem em silêncio", o que sugere aceitação, lamentou Coppa, apelando a que "todos os homens tomem uma posição".

 

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