Mais de 250 mil crianças são traficadas no Brasil para exploração sexual

Lisboa, 05 Jun (Lusa) - Mais de 250 mil crianças são traficadas no Brasil para prostituição, revela o relatório de Tráfico de Seres Humanos 2008 do Departamento de Estado norte-americano.

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"A Polícia Federal brasileira estima que cerca de 250 mil crianças sejam traficas para prostituição, mas várias Organizações Não-Governamentais (ONG) afirmam que esse número sobe para 500 mil", lê-se no relatório.

De acordo com o documento, "entre 25 mil e 100 mil homens são sujeitos a trabalho escravo dentro do seu próprio país".

O relatório indica ainda que o Brasil é "um país fornecedor de mulheres e crianças traficadas, dentro do seu próprio território ou para o estrangeiro, para fins de exploração sexual, bem como um fornecedor de homens traficados internamente para trabalhos forçados".

A América do Sul, Caraíbas, Europa, Japão, Estados Unidos e Médio Oriente são os principais destinos das mulheres e crianças traficadas no Brasil, segundo o Departamento de Estado norte-americano.

O documento sublinha também que o turismo sexual de crianças continua a ser um problema sério, particularmente em áreas como o nordeste brasileiro.

O relatório critica o comportamento do Governo brasileiro, afirmando que "não respeita os requisitos mínimos para a eliminação do tráfico" de seres humanos.

"No entanto, está a fazer esforços significativos nesse sentido", reconhece.

O Departamento de Estado recomenda ao Brasil que crie legislação federal para criminalizar e punir todas as formas graves de tráfico de seres humanos, incluindo os trabalhos forçados e melhore a assistência e a protecção às vítimas, entre outros.

No relatório, os Estados Unidos mantiveram quatro dos seus principais aliados no Golfo Pérsico - Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e Omã -, entre os 14 países que, segundo Washington, não contribuíram para a luta mundial contra o tráfico de seres humanos.

A par destes países, o Departamento de Estado norte-americano acrescentou, este ano, a esta lista negra as ilhas Fiji, a Moldova e a Papua Nova Guiné.

O documento reporta-se a dados entre Abril de 2007 e Março deste ano e analisou 170 países.

MCL.


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