Mais de 40 países pedem organização da ONU para meio ambiente

Mais de 40 países apoiam a criação de uma organização das Nações Unidas para o meio ambiente, proposta na conferência internacional de Paris, como forma de impulsionar uma política mundial contra as alterações climáticas do planeta.

Agência LUSA /
Imagem de arquivo de um protesto por energia limpa EPA

"Hoje, sabemos que a humanidade está destruir, a uma velocidade aterradora, os recursos e os equilíbrios que têm permitido o seu desenvolvimento e que têm determinado o seu futuro", afirmou o presidente francês, Jacques Chirac, citando o documento final da conferência que hoje termina em Paris e que reuniu, esta semana, 500 delegados do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas.

O documento defende a transformação do actual Programa da ONU para o Meio Ambiente numa agência similar à Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objectivo de ser uma "voz forte e reconhecida em todo o mundo" e que consiga "avaliar os danos ecológicos e compreender como enfrentá-los".

Fontes da presidência francesa referem que o "grupo pioneiro" de 46 nações que apoiam a nova organização é composto por uma maioria de países europeus e cerca de 20 países de África, Ásia e América Latina.

Os Estados Unidos e um conjunto de grandes países emergentes, como China, Índia e Brasil, foram algumas das nações mais resistentes à criação desta nova organização.

"Lançamos assim um apelo solene para uma grande mobilização internacional contra a crise ecológica e em prole de um crescimento que tenha respeito pelo meio ambiente", reforça o documento.

As principais conclusões do relatório apresentado sexta-feira em Paris pelos 500 delegados do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) mostraram que o aquecimento global continuará durante séculos, sendo "inequívoco" e que "muito provavelmente" tem causa humana.

De acordo com o relatório dos especialistas mundiais, o planeta vai aquecer entre 1,8 e quatro graus até ao final do século e o nível dos mares subirá até 58 centímetros, fazendo multiplicar secas e vagas de calor.

O ministro do Ambiente português, Francisco Nunes Correia, foi um dos participantes na reunião para discutir a possível criação de uma agência para o Ambiente da ONU.

PUB