Mais de 44 mil suspeitos de participar no genocídio do Ruanda fugidos no estrangeiro
Cerca de 44.204 ruandeses, suspeitos de terem participado no genocídio de 1994, refugiaram-se no estrangeiro, em dezenas de países africanos, na Europa e na América, segundo um relatório oficial ruandês a que a AFP teve hoje acesso.
Segundo o documento publicado pelo serviço nacional encarregue das jurisdições gacaca (autoridades tradicionais), cerca de 87.063 outras pessoas que deverão ter estado implicados no genocídio morreram no estrangeiro, por diversas razões.
O relatório não precisa os países de residência actual das pessoas suspeitas de terem participado nos massacres de 1994 no Ruanda, que, segundo as Nações Unidas, fizeram cerca de 800 mil mortos, entre a minoria tutsi e os hutus moderados.
Segundo este relatório, 818.564 pessoas terão participado neste genocídio.
Até hoje, pouco mais de 12 mil pessoas foram julgadas no Ruanda pela sua participação nos massacres - foram julgadas pela justiça tradicional e convencional ou pela "gacacas", jurisdições populares inspiradas nas antigas assembleias aldeãs, que podem julgar todos os suspeitos de genocídio de 1994, menos os planificadores e os violadores.
Trinta e três pessoas foram julgadas pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, que está sediado em Arusha (no Norte da Tanzânia) e que está encarregue de procurar e julgar os principais presumíveis responsáveis pelo genocídio de 1994 no Ruanda.