Mais de 570 antiguidades roubadas ao Museu Nacional de Cartum recuperadas
Mais de 570 antiguidades valiosas roubadas ao Museu Nacional de Cartum durante a guerra que aflige o Sudão há mais de dois anos foram recuperadas, anunciaram hoje as autoridades sudanesas numa cerimónia em Porto Sudão.
Estes artefactos - nomeadamente estatuetas funerárias, vasos ornamentados, utensílios de bronze, pedras gravadas ou amuletos em forma de escaravelho - , que datam da época pré-Histórica até ao período islâmico, foram expostos sobre grandes mesas numa sala de receções, durante a cerimónia governamental, sob forte vigilância.
O Museu de Cartum, na capital sudanesa, que reunia todas as coleções descobertas por arqueólogos em diferentes locais no Sudão, foi saqueado e destruído na primavera de 2023, quando os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) tomaram a capital após se insurgirem contra as forças armadas, seus antigos aliados durante o golpe de Estado que derrubou o ditador Omar Al-Bashir em 2019.
Na altura dos saques, imagens de satélite mostraram camiões carregados de tesouros a deslocarem-se para o Darfur, vasta região do oeste do país controlada pelas RSF.
Desde então, as autoridades sudanesas mobilizaram-se, com o apoio da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e da Interpol, para recuperar os objetos roubados antes que atravessassem fronteiras por via do contrabando e fossem vendidos no mercado negro.
"O património sudanês não é apenas de importância nacional, é um tesouro para a humanidade", sublinhou hoje o representante da UNESCO no Sudão, Ahmed Jonied.
"Talvez muitos não saibam, mas o que vemos sobre estas mesas - cerâmicas, bronzes, granitos - tem uma profundidade histórica e cultural e significa algo: uma civilização", afirmou, por seu lado, o ministro das Finanças, Gibril Ibrahim.
"Aqueles que procuraram roubar estas antiguidades não visaram apenas o seu valor material, mas tentaram apagar a identidade desta nação, a sua História e a sua civilização", acrescentou o ministro.
O ministro da Informação e da Cultura, Khalid Aleisir, prometeu, por sua vez, uma "recompensa financeira" a quem entregasse antiguidades às autoridades, sem especificar o montante.
As autoridades sudanesas mantiveram-se discretas quanto às condições de recuperação dos objetos roubados, limitando-se a sublinhar o papel dos serviços de informações.
Entre as antiguidades ainda procuradas encontra-se a "câmara do ouro", a coleção mais valiosa do Museu de Cartum, que reúne joias antigas e peças em ouro puro de 24 quilates, algumas com cerca de 8.000 anos.