Mais de 60 mortos. Cruz Vermelha de Cabo Verde apela a apoio para migrantes resgatados

Trinta e oito pessoas sobreviveram depois de um barco que transportava maioritariamente migrantes senegaleses se ter virado ao largo da costa da Ilha do Sal, em Cabo Verde. Ouvida pela RTP3, a Cruz Vermelha na Ilha do Sal apelou esta quinta-feira ao apoio internacional para conseguir ajudar os migrantes resgatados, que prometem "tentar de novo se forem repatriados" para os países de origem.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Senegaleses numa piroga que transportava migrantes ao largo da costa de Ouakam, Dakar, Senegal, 24 de julho de 2023. Ngouda Dione - Reuters

Foram resgatados 38 sobreviventes, “todos do sexo masculino, 37 de nacionalidade senegalesa e um da Guiné-Bissau”, entre os quais “quatro adolescentes de idades entre 12 a 16 anos", de acordo com a Cruz Vermelha.Na passada segunda-feira, foi resgatada em Cabo Verde uma piroga que chegou a transportar 101 migrantes a bordo e vitimou 63 pessoas. Morreram à fome durante a viagem.


À chegada ao Porto de Palmeira, na Ilha do Sal, foram recebidos por uma equipa multidisciplinar que garantiu cuidados sanitários e médicos e lhes forneceu água, comida e roupa, num primeiro momento.

Devido ao estado de desidratação em que se encontravam, 16 dos migrantes foram encaminhados de imediato para o Hospital regional por exigirem maiores cuidados.
Os restantes foram acolhidos num complexo desportivoTrês questões prioritárias
"Na primeira hora nós damos água, comida e roupa", disse Ivanilda Vaz, representante da Cruz Vermelha na Ilha do Sal, em Cabo Verde, em declarações à RTP3, acrescentando que essas são "as três questões prioritárias" e que, ao longo do tempo, prestam ajuda na satisfação de outras necessidades que vão eventualmente surgindo.
Apesar de no terreno terem procedido de imediato à recolha de bens - comida, produtos de higiene, roupa e calçado - junto de empresas locais e da sociedade civil, que têm contribuído para apoiar os migrantes resgatados, explicou que a falta de financiamento, recursos e estruturas são um desafio à prestação da ajuda humanitária.“É um desafio enorme a falta de financiamento para trabalhar estas questões”, garantiu Ivanilda Vaz.

"Cada um vai dando o que tem e o que pode", disse. Acrescentando que "os donativos vão chegando aos poucos".
Cabo Verde como país de trânsito, não como destino

Os testemunhos de alguns dos sobreviventes revelam que o "destino final seria a França" ou as Ilhas Canárias, em Espanha, conta Ivanilda Vaz.  "Pedimos ajuda para os 38 migrantes", apelou a porta-voz da Cruz Vermelha na Ilha do Sal.

A falta de oportunidades e de esperança nos países de origem levam muitos africanos, entre eles jovens licenciados, a embarcarem rumo à Europa à procura "melhores dias".

As autoridades cabo-verdianas estão a preparar o repatriamento das 38 pessoas resgatadas, à semelhança do que aconteceu no passado a outros náufragos que desembarcaram no país. Todavia, confrontados com esta realidade, os resgatados "prometem tentar de novo se forem repatriados".
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