Trabalho premiado com Nobel da Medicina "torna simples sistema complexo"
A investigação premiada hoje com o Nobel da Medicina contribuiu para perceber o funcionamento do sistema olfactivo, tornando "simples um sistema complexo", segundo o geneticista português Carolino Monteiro.
O trabalho de investigação dos dois investigadores norte- americanos galardoados, Richard Axel e Linda B. Buck, contribuiu assim para perceber por que razão os odores são percepcionados de forma diferente por cada indivíduo, explicou o investigador da Faculdade de Farmácia à Agência Lusa.
"Estes trabalhos mostraram que há uma grande família de genes que intervém na nossa capacidade de sentir os diferentes odores, e que esses genes têm muitas variáveis, que tornam o olfacto individual", sublinhou.
Daí que o odor de uma chávena de café ou de um perfume, por exemplo, seja diferente para cada pessoa pois é condicionado pelo seu perfil genético.
Da mesma forma se explica por que razão determinadas pessoas são sensíveis a determinados cheiros, acrescentou.
Nos seus estudos, Richard Axel e Linda B. Buck "descobriram uma grande família de genes, constituída por cerca de 1.000 genes diferentes (3 por cento dos nossos genes) que estão na origem de um número equivalente de tipos de receptores olfactivos", de acordo com a Academia Nobel, que entrega o galardão.
à Lusa, Carolino Monteiro sublinhou que as variações genéticas do sistema olfactivo explicam ainda "por que somos atraídos por um parceiro e não por outro".
"A nossa sensibilidade para o diferente contribui para a biodiversidade, daí que não tenhamos atracção por um cheiro que tenha as mesmas semelhanças genéticas", continuou.
"Trata-se de uma questão de sobrevivência - quanto mais diferentes formos, maiores probabilidades temos", notou.
No comunicado que justifica a atribuição do prémio, a Academia Nobel refere que "o olfacto foi durante muito tempo o mais enigmático dos nossos sentidos".
"Não se compreendiam os princípios básicos para reconhecer e recordar cerca de 10.000 odores diferentes", prossegue.
Os laureados deste ano, acrescenta, "resolveram este problema e, numa série de estudos pioneiros, esclareceram como é que o nosso sistema olfactivo funciona".
O prémio, dotado de 10 milhões de coroas suecas (1,1 milhões de euros), será entregue a 10 de Dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, o fundador destes galardões.