Economia
Mais de 75% dos privados abrem caminho ao perdão da dívida grega
Foram atingidos ao início da tarde os 75 por cento de adesão dos credores privados à reestruturação da dívida grega que eram exigidos pelo Governo de Atenas. Foi um funcionário do Executivo de Lucas Papademos que avançou com essa indicação de que há já condições para avançar com a operação de troca de títulos de dívida pública da Grécia – apesar de o Governo desejar que a percentagem suba aos 90 por cento. É um limpar de folha numa altura em que o FMI deverá examinar um novo empréstimo aos gregos no total de 130 mil milhões de euros.
Com a luz verde ao perdão, os investidores vão esquecer 53,5% dos títulos de dívida grega que detêm e trocar os restantes por novos títulos a mais longo prazo e ainda por títulos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF). Feitas as contas, ronda os 70 por cento o valor que será perdoado. Programa prevê a retirada de cerca de 100 mil milhões de euros da dívida grega, reduzindo-a dos 160% do PIB previstos para 2020 para 120%
O objetivo da operação é aliviar a Grécia de 107 mil milhões de euros de uma dívida de 350 mil milhões. Na realidade, um acordo que permitirá a Atenas assegurar esse segundo pacote de resgate, impedindo o país de entrar em bancarrota já nas duas próximas semanas.
Antevendo um cenário mais negro, o Governo grego deixara o aviso de que cancelaria a operação de troca de dívida se não fosse assegurado o perdão de 75 por cento da dívida. O prazo para uma resposta dos credores privados (principalmente bancos, fundos de pensões e seguradoras) são as 22:00 horas locais (oito da noite em Lisboa). Os portugueses juntam-se aos 32 bancos internacionais que já aceitaram participar no perdão e que terão 84 mil milhões de euros em títulos gregos
É um prazo que serve também os bancos portugueses, que detêm mais de 1500 milhões de euros em títulos de dívida helénica. BCP, BPI e CGD (os dois primeiros têm cerca de 700 milhões de euros de dívida em carteira, o que, aliás, os levaria a apresentar prejuízos históricos de 786 e 203,9 milhões em 2011) já haviam feito saber que vão aceitar as condições impostas pelos gregos. A dívida detida pela Caixa anda pelos 133 milhões, grande parte às costas das seguradoras do grupo. Também no banco estatal esta operação levou à presentação de resultados negativos de 488,4 milhões.
Na realidade não se sabe quem é o detentor exato da dívida grega, já que, à exceção da parcela detida pelos bancos do país e pelo Estado helénico, desde que no passado mês de julho começou a falar-se de reestruturação, muitos bancos desfizeram-se dos títulos nos mercados secundários.
A Research on Money and Finance, ligada a economistas da Universidade de Londres, apontou o rol de credores domésticos: bancos comerciais (55 740 milhões de euros), banco central (7087 milhões), caixas de segurança social e outras entidades públicas (30 000 milhões), corporações não financeiras (3679 milhões), companhias de seguros (3230 milhões), fundos mútuos (41 milhões) e particulares (12 133 milhões).
Entre os detentores estrangeiros, o estudo aponta bancos europeus (52 258 milhões), bancos não europeus (1938 milhões), o Banco Central Europeu (50 000 milhões), bancos centrais de países membros da UE (6013 milhões), Fundo Monetário Internacional (15 000 milhões), UE (38 000 milhões) e outras instituições oficiais fora da UE (25 000 milhões). Ficam por identificar 60 milhões de euros.
FMI aprecia novo resgate dentro de uma semana
De acordo com um anúncio do Fundo, a reunião do conselho de administração para examinar novo empréstimo à Grécia está marcada para 15 de março: "Isso depende evidentemente da concretização de medidas prévias pelas autoridades gregas e da obtenção completa de garantias sobre o financiamento incluindo um acordo sobre a reestruturação da dívida detida pelo setor privado", acrescentava Gerry Rice, diretor das relações externas da instituição.
Entretanto, o economista Nouriel Roubini vinha ontem defender que está a criar-se "o mito" de que os credores privados dos gregos vão arcar com perdas significativas, ao contrário do que acontecerá com os públicos.
"A realidade é que os credores privados conseguiram um acordo muito gentil, ao passo que as perdas atuais e futuras foram transferidas para os credores oficiais", afirma Roubini num artigo que surge no site do "Financial Times".
Diz o economista que "os credores privados da Grécia devem parar de se queixar [porque] a realidade é que muitos dos ganhos nos bons tempos foram privatizados, enquanto muitas das perdas foram agora socializadas".
O objetivo da operação é aliviar a Grécia de 107 mil milhões de euros de uma dívida de 350 mil milhões. Na realidade, um acordo que permitirá a Atenas assegurar esse segundo pacote de resgate, impedindo o país de entrar em bancarrota já nas duas próximas semanas.
Antevendo um cenário mais negro, o Governo grego deixara o aviso de que cancelaria a operação de troca de dívida se não fosse assegurado o perdão de 75 por cento da dívida. O prazo para uma resposta dos credores privados (principalmente bancos, fundos de pensões e seguradoras) são as 22:00 horas locais (oito da noite em Lisboa). Os portugueses juntam-se aos 32 bancos internacionais que já aceitaram participar no perdão e que terão 84 mil milhões de euros em títulos gregos
É um prazo que serve também os bancos portugueses, que detêm mais de 1500 milhões de euros em títulos de dívida helénica. BCP, BPI e CGD (os dois primeiros têm cerca de 700 milhões de euros de dívida em carteira, o que, aliás, os levaria a apresentar prejuízos históricos de 786 e 203,9 milhões em 2011) já haviam feito saber que vão aceitar as condições impostas pelos gregos. A dívida detida pela Caixa anda pelos 133 milhões, grande parte às costas das seguradoras do grupo. Também no banco estatal esta operação levou à presentação de resultados negativos de 488,4 milhões.
Na realidade não se sabe quem é o detentor exato da dívida grega, já que, à exceção da parcela detida pelos bancos do país e pelo Estado helénico, desde que no passado mês de julho começou a falar-se de reestruturação, muitos bancos desfizeram-se dos títulos nos mercados secundários.
A Research on Money and Finance, ligada a economistas da Universidade de Londres, apontou o rol de credores domésticos: bancos comerciais (55 740 milhões de euros), banco central (7087 milhões), caixas de segurança social e outras entidades públicas (30 000 milhões), corporações não financeiras (3679 milhões), companhias de seguros (3230 milhões), fundos mútuos (41 milhões) e particulares (12 133 milhões).
Entre os detentores estrangeiros, o estudo aponta bancos europeus (52 258 milhões), bancos não europeus (1938 milhões), o Banco Central Europeu (50 000 milhões), bancos centrais de países membros da UE (6013 milhões), Fundo Monetário Internacional (15 000 milhões), UE (38 000 milhões) e outras instituições oficiais fora da UE (25 000 milhões). Ficam por identificar 60 milhões de euros.
FMI aprecia novo resgate dentro de uma semana
De acordo com um anúncio do Fundo, a reunião do conselho de administração para examinar novo empréstimo à Grécia está marcada para 15 de março: "Isso depende evidentemente da concretização de medidas prévias pelas autoridades gregas e da obtenção completa de garantias sobre o financiamento incluindo um acordo sobre a reestruturação da dívida detida pelo setor privado", acrescentava Gerry Rice, diretor das relações externas da instituição.
Entretanto, o economista Nouriel Roubini vinha ontem defender que está a criar-se "o mito" de que os credores privados dos gregos vão arcar com perdas significativas, ao contrário do que acontecerá com os públicos.
"A realidade é que os credores privados conseguiram um acordo muito gentil, ao passo que as perdas atuais e futuras foram transferidas para os credores oficiais", afirma Roubini num artigo que surge no site do "Financial Times".
Diz o economista que "os credores privados da Grécia devem parar de se queixar [porque] a realidade é que muitos dos ganhos nos bons tempos foram privatizados, enquanto muitas das perdas foram agora socializadas".