Mais de dois milhões morrem diariamente à fome no mundo
Mais de dois milhões de pessoas morrem diariamente à fome em todo o mundo, um problema que mata mais do que a sida, malária e tuberculose juntas, alertou um responsável das Nações Unidas.
Em vésperas do Dia Mundial da Alimentação, que se assinala domingo, o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, realçou que os números de vítimas da fome têm aumentado.
"Em 2003 morreram 841 milhões de pessoas de fome e no ano seguinte, 2004, em vez de se reduzir esse número, tal como nos comprometemos com os Objectivos do Milénio, houve um acréscimo de 11 milhões", sublinhou o responsável da ONU.
Apesar da fome, os dados das Nações Unidas mostram que pode produzir-se comida suficiente no mundo para alimentar diariamente 12 mil milhões de pessoas, o dobro da população mundial.
Em comunicado, também o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, quis assinalar o Dia Mundial da Alimentação, recordando que mais de 850 milhões de pessoas sofrem de fome em todo o planeta, um número que a comunidade internacional se propôs reduzir para metade até 2015.
África é um dos continentes onde o problema da fome é mais preocupante, dado que o número de pessoas subnutridas aumentou de 88 milhões em 1999 para mais de 200 milhões em 2001.
Assim, mais de três em cada 10 habitantes em África sofrem de subnutrição.
Burkina Faso, Mali, Sudão e Etiópia são países citados pelas Nações Unidas como os mais afectados pela falta de alimentos.
Em Portugal, a falta de uma alimentação equilibrada tem aumentado os casos de obesidade, um dos temas centrais do Dia Mundial da Alimentação, com rastreios gratuitos pelo menos no Porto e em Oeiras.
Vários têm sido os alertas de autoridades e médicos para o facto de os portugueses não fazerem uma alimentação equilibrada.
Estudos divulgados esta semana pela Agência Portuguesa de Segurança Alimentar (APSA) demonstraram que os portugueses consomem mais do dobro do sal recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS recomenda que o consumo diário de sal não exceda os cinco gramas por dia - equivalente a uma colher de chá -, mas estudos nacionais e europeus apontam que os portugueses atingem as 12 gramas diárias.
O director do Instituto de patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, Manuel Sobrinho Simões, advertiu já que o uso excessivo de sal na alimentação aumenta a probabilidade de cancro do estômago.
Aliás, a Universidade do Porto está a investigar a relação entre o consumo de sal e a bactéria responsável por gastrites e úlceras, um dos factores de risco para o cancro do estômago.