Mais de metade dos latino-americanos incapaz de citar um Estado-membro
Mais de metade dos cidadãos da América Latina são incapazes de mencionar um Estado-membro da União Europeia (UE), com os brasileiros a apresentarem um dos mais baixos níveis de conhecimento, revela um inquérito hoje divulgado em Bruxelas.
O Latinobarómetro, realizado pela associação chilena Focus Eurolatino, analisou o nível de conhecimento e de informação de 18 países da América Latina em relação à Europa, bem como a imagem desta no outro lado do Atlântico, através de 19 mil inquéritos.
Os resultados revelam que 55 por cento dos questionados não foram capazes de referir um único Estado-membro da UE, enquanto seis por cento indicam países incorrectos.
O país mais conhecido é obviamente a Espanha, apontada por 36 por cento dos inquiridos como Estado-membro da UE, enquanto Portugal é referido por apenas um em cada dez.
Observando os resultados por país, os brasileiros indicaram apenas sete dos 25 actuais Estados-membros, sendo apenas ultrapassado pela Guatemala, que aponta cinco países comunitários.
Os mais informados, mas por excesso, são os mexicanos, que chegam aos 47 países pertencentes à UE, enquanto apenas a Venezuela indica o número correcto: 25.
Por isto mesmo, 46 por cento dos cidadãos latino-americanos afirmam-se "pouco informados" e 34 por cento "nada informados" sobre a UE, com 85 dos brasileiros a pronunciarem-se no mesmo sentido.
Mais de 42 por cento dos inquiridos confessam mesmo que a Europa lhes é conhecida através do futebol, seguido das guerras (18 por cento) e da comida. Os líderes europeus são conhecidos apenas por seis por cento dos participantes no inquérito.
Os Estados Unidos são, por isso, o país apontado como o que mais apoia a América Latina na promoção do Comércio Livre e da democracia, na defesa da paz e na ajuda ao desenvolvimento, ganhando em todas as áreas à Europa.
No entanto, quando a mesma questão é feita a pessoas com formação universitária, 46 por cento indicam a Europa como a potência que mais ajuda a promover a democracia e 24 por cento os Estados Unidos, da mesma forma para a defesa da paz, com uma tendência generalizada para a defesa da UE entre os inquiridos com mais habilitações literárias.
Os brasileiros são dos mais desconfiados em relação às boas intenções norte-americanas na defesa da paz, apontando a Europa como a promotora deste princípio, mas reconhecem mais trabalho aos Estados Unidos no que respeita à promoção da democracia, à ajuda ao desenvolvimento e ao comércio livre.
O Latinobarómetro é realizado anualmente desde 1995 e representa as opiniões, atitudes e comportamentos de 400 milhões de habitantes desde Rio Grande até à Antárctica.