Mais de três mil eritreus foram detidos e sujeitos a tortura e violações no Egito desde janeiro
Mais de 3.000 refugiados eritreus foram detidos desde o início de janeiro no Egito, afirmou hoje uma organização não-governamental (ONG) eritreia de defesa dos direitos humanos, lamentando casos de violência sexual e tortura de alguns detidos.
A Eritreia, país do Corno de África com cerca de 3,5 milhões de habitantes, vive sob um dos regimes mais autoritários do planeta, sendo governada desde 1993 por Isaias Afwerki, que nunca organizou eleições.
Asmara instituiu um serviço militar ilimitado e muitos jovens, para tentar escapar, optam pelo exílio.
De acordo com a ONG Human Rights Concern-Eritrea (HRCE), mais de 3.000 refugiados eritreus foram detidos desde 10 de janeiro no Egito. Com base em testemunhos e fotografias, a ONG acusou a existência de "espancamentos e queimaduras", "recusa de cuidados médicos" e "violência sexual contra detidos".
A HRCE também relatou expulsões para a Eritreia, ainda que "algumas das pessoas em causa estivessem registadas" no Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR), que tem entre os seus principais desígnios o da proteção "contra a repulsão [regresso forçado], detenções e prisões arbitrárias".
O Egito e a Eritreia, que mantêm relações tensas com a Etiópia, aproximaram-se nos últimos meses. O Egito critica Adis Abeba pela construção de uma barragem no Nilo, vista como uma "ameaça existencial", enquanto a Eritreia considera que o seu vizinho - sem litoral - pretende apropriar-se do seu porto de Assab.
Questionado pela AFP sobre as acusações da HRCE, o ministro da Informação da Eritreia, Yeman Gebremeskel, não deu até agora qualquer resposta.
A HRCE exortou a ONU a "intervir imediatamente para impedir as expulsões" e o Egito a "respeitar as suas obrigações ao abrigo do direito internacional dos refugiados".
A Eritreia é regularmente criticada por organizações de defesa dos direitos humanos. Os seus dissidentes desaparecem em centros de detenção e os civis são alistados para toda a vida no exército.
Segundo a HRCE, mais de 10.000 prisioneiros de consciência, incluindo jornalistas, dissidentes políticos ou membros de minorias religiosas, estão detidos na Eritreia há anos, na maioria das vezes, sem julgamento.
O Egito, dirigido com "mão de ferro" pelo Presidente Abdel Fattah al-Sissi, no poder desde 2014, também é criticado pelo seu historial em matéria de direitos humanos.
De acordo com várias ONG, o país tem dezenas de milhares de presos políticos, ativistas, jornalistas e figuras da oposição nas suas prisões, o que o governo nega.