Mais eleitores, mais locais de voto e menos forças políticas
Timor-Leste vai às urnas no sábado com o menor número de forças políticas, o maior número de sempre de eleitores e de locais de votação e o reconhecimento da crescente importância da diáspora, com votações em quatro países.
Quatro partidos e quatro coligações são candidatos às eleições legislativas antecipadas, convocadas depois de meses de tensão política em Timor-Leste, nas quais vão ser escolhidos os 65 deputados da quinta legislatura.
Este será o boletim de voto com o menor número de candidaturas de sempre e também com o maior número de coligações pré-eleitorais da história de Timor-Leste, que restaurou a independência em 2002.
O Partido Esperança da Pátria (PEP) lidera o boletim, à frente do Partido Democrático (PD), do Partido Republicano (PR) e da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).
Depois surge a coligação Movimento Social Democrata (MSD), a coligação Movimento de Desenvolvimento Nacional (MDN) e a coligação Frente de Desenvolvimento Democrático (FDD). No oitavo lugar está a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP).
Em Timor-Leste, nem todos os que têm cartão de eleitor podem votar. No país, o cartão é o principal documento de identidade, usado para tudo desde registos laborais a compras de motorizadas, pelo que há jovens com 16 anos com cartão eleitoral que têm que esperar até completar 17 para votar.
Assim, há cerca de 787 mil recenseados, mas apenas 785 mil eleitores que vão poder votar, entre as 07:00 de sábado (hora local, 23:00 de sexta-feira em Lisboa) e as 15:00, nas 1.151 estações de voto, dividas por 876 centros de votação e instalados nos 452 sucos (equivalente a freguesias) do país.
Eleitores na diáspora podem ainda votar na Austrália (Darwin, Melbourne e Sydney), na Coreia do Sul (Seul), em Portugal (Lisboa e Porto) e no Reino Unido (em Dungannon, Londres e Oxford). No caso da diáspora as urnas abrem no mesmo período - 07:00 às 15:00 - na hora local.
Na Austrália, onde estão recenseados 1.532 eleitores, vão ser habilitados três locais para votar, Darwin, Melbourne e Sydney, e na Coreia do Sul os 537 eleitores recenseados terão um centro de votação em Seul.
Em Portugal - onde há recenseados 1.286 eleitores - haverá dois centros (Lisboa e Porto) e no Reino Unido os 2.128 eleitores podem votar em Dungannon, Londres e Oxford.
O município de Díli tem o maior número de eleitores (mais de 168 mil), seguindo-se Baucau, na zona leste do país (89.346), Ermera (79.433), a sul de Díli e Bobonaro (65.778), que em conjunto representam mais de metade de todo o eleitorado.
As regiões com menos eleitores são Aileu (31.287) e Manatuto (32.228).
Comoro, uma zona na parte ocidental da capital timorense, é o suco com mais eleitores recenseados (28.146) e Foholau, no posto administrativo de Turiscai, município de Manufahi, o que tem menos eleitores registados, apenas 252.
Menor do que o ano passado é o grupo de observadores internacionais já que muitos organismos e entidades internacionais - incluindo a União Europeia - não tinham previsto ou orçamentado eleições antecipadas menos de um ano depois das últimas.
A CPLP, por exemplo, não tem qualquer observador a acompanhar o voto.
Ainda assim, no total há 171 observadores internacionais dos quais uma centena são australianos, tanto da embaixada como de várias universidades. Destacam-se ainda delegações
De Timor-Leste registaram-se no Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) mais de 3.000 observadores de 23 delegações acreditadas, sendo as maiores do Observatório da Igreja Para Os Assuntos Sociais (OIPAS) - que tem 937 observadores - da Fundação Halibur ba Dame (819) e o Sentru Desk (429).
Os dados do STAE confirmam ainda que se registaram para acompanhar o voto seis jornalistas internacionais - das agências Lusa, Nikke, AP e Kyodo - e 265 timorenses, dos quais o maior grupo (108 pessoas) é da televisão e rádio públicas (RTTL).
A acompanhar o voto estarão milhares de fiscais das oito forças política concorrentes, distribuídos pelos centros de votação e pelas estações de voto.
Destacados nos centros de votação estarão 5.392 fiscais, dos quais 1.936 da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), 1.726 da Frente de Desenvolvimento Democrático (FDD), 794 do Partido Democrático (PD) e 534 da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP).
Nas estações de voto estão destacados 9.506 fiscais, o maior grupo da AMP (4.139), seguindo-se a Fretilin (2.222), a FDD (1,634) e o PD (1.511).
Para se eleger qualquer deputado as forças políticas têm que obter pelo menos 4% dos votos válidos, o que caso se repetissem os votos de 2017, implicaram cerca de 23 mil votos.